GRÃO DE AREIA

Festa da Flor 2011 – “A Flor que eu Escolhi”

Posted in Notícias by Artemisa on 7 de Maio de 2011

“O tema “ A flor que eu escolhi “, dá o mote para as comemorações da Festa da Flor da Madeira, que, este ano, se celebra no auge da Primavera.

Desde sempre, as flores são uma característica fundamental da  paisagem da Madeira . O clima ameno da Ilha permite que, por todo o lado, desabroche uma variedade de flores que, naturalmente, encantam pela beleza que emanam e  pelo perfume que exalam.

É neste cenário único que, uma vez mais,  a cidade do Funchal  é  palco de um sumptuoso  espectáculo,  que se desenrola entre os dias 5 e 8 de Maio, em que a flor  protagoniza a sua mais importante representação.

O ponto alto é o Cortejo Alegórico da Flor, que acontece  no dia 8 de Maio, pelas 16 horas, com vários grupos, com mais de um milhar de figurantes, que, com trajes alusivos à flor  e ao som da música primorosamente escolhida , percorrem as principais artérias da cidade, acompanhados  de  fantásticos carros alegóricos, maravilhosamente decorados com muitas das  diferentes variedades de flores da Madeira.”

Para consultar o Programa da Festa da Flor, clique aqui.

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Para Além do Arco-Íris

Posted in Pessoal by Artemisa on 1 de Fevereiro de 2011

A aparência do arco-íris é causada pela dispersão da luz do sol que sofre refracção pelas (aproximadamente esféricas) gotas de chuva.

A luz sofre uma refracção inicial quando penetra na superfície da gota de chuva, dentro da gota ela é refletida e finalmente volta a sofrer refracção ao sair da gota. O efeito final é que a luz que entra é refletida numa grande variedade de ângulos, com a luz mais intensa a um ângulo de cerca de 40°–42°, independente do tamanho da gota. Desde que a água das gotas de chuva seja dispersiva, a grau que a luz solar retorna depende do comprimento de onda e da frequência, principalmente. A luz azul retorna num ângulo maior que a luz vermelha, mas devido à reflexão interna total da luz na gota de chuva, a luz vermelha aparece mais alta no céu, e forma a cor mais externa do arco-íris.

O arco-íris é uma ilusão de óptica cuja posição aparente depende da posição do observador. Todas as gotas de chuva refractam e reflectem a luz do sol da mesma forma, mas somente a luz de algumas delas chega até o olho do observador. Estas gotas são percebidas como o arco-íris para aquele observador. Sua posição é sempre na direcção oposta do sol com relação ao observador, e o interior é uma imagem aumentada do sol, que aparece ligeiramente menos brilhante que o exterior. O arco é centralizado com a sombra do observador, aparecendo num ângulo de aproximadamente 40°–42° com a linha entre a cabeça do observador e sua sombra (isto significa que se o sol está mais alto que 42° o arco-íris está abaixo do horizonte e o arco-íris não pode ser visto a menos que o observador esteja no topo de uma montanha noutro lugar de altura similar). Similarmente é difícil fotografar o arco completo, o que requer um ângulo de visão de 84°.

Podemos ver arco-íris de diferentes tamanhos porque, para estimar a sua largura, o nosso cérebro só tem como informação a dimensão do ângulo de visão que lhe corresponde. Se perto da imagem dele existirem objectos longínquos, como montanhas, o arco-íris parecerá maior. Se o arco-íris estiver perto de objectos menos distantes, parecerá menor. É fundamentalmente a mesma ilusão que faz com que a Lua, o Sol ou as constelações pareçam maiores quando estão perto do horizonte.

Algumas vezes, um segundo arco-íris mais fraco é visto fora do arco-íris principal, ele é devido a uma dupla reflexão da luz do sol nas gotas de chuva, e aparece em um ângulo de 50°–53°. Devido à reflexão extra, as cores do arco são invertidas quando comparadas com o arco-íris principal, com o azul no lado externo e o vermelho no interno. De um aeroplano é possível ter a oportunidade de ver o círculo completo do arco-íris, com a sombra do avião ao centro.

Aqui está um exemplo desta dupla reflexão… fim de tarde na Madeira, depois de alguma chuva!

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Arraial de São Vicente: Eu Fui e Tu?

Posted in Notícias, Pessoal by Artemisa on 29 de Agosto de 2010

Cartaz das Festas

Programa das Festas

São Vicente é uma pitoresca vila na Ilha da Madeira onde, todos os anos na última semana de Agosto, são celebradas as festas religiosas em honra do Senhor. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de visitar este arraial e fiquei fascinada com a quantidade de gente que se vê nas ruas, madeirenses e turistas, comprovando assim a ampla divulgação e notoriedade que têm estas festas.

Todas as ruas estão iluminadas e decoradas com as tradicionais flores de todas as cores, as barracas de comes e bebes estão em todos os cantos onde podemos encontrar, entre outras coisas, os típicos braseiros de espetada, bolo do caco, picados, vinho, laranjada e claro poncha!

Aconselho calçado confortável, casa ou hotel onde ficar perto, boa companhia, boa disposição e claro, dinheiro no bolso!

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A Madeira e os Cetáceos

Posted in Notícias by Artemisa on 21 de Julho de 2010

Foi no passado dia 20 de Julho pelas 10h, que se realizou a conferência de Imprensa, a bordo da embarcação Ziphius – Porto de recreio de Machico, para divulgação do Projecto CetáceosMadeira II . Este projecto é desenvolvido pelo Município de Machico – Museu da Baleia da Madeira e co-financiado pelo Município de Machico e pelo Programa de iniciativa Comunitária LIFE+.

Os cetáceos constituem um grupo diversificado que engloba as baleias, golfinhos e botos. Na sua totalidade e a nível mundial, são consideradas aproximadamente 78 espécies de cetáceos divididas em duas sub-ordens. No arquipélago da Madeira foram confirmadas até ao presente, com frequência ou ocasionalmente, 24 espécies, das quais sete pertencem à sub-ordem Mysticeti (cetáceos com barbas) e dezassete à sub-ordem Odontoceti (cetáceos com dentes).

As grandes baleias, integradas na primeira sub-ordem utilizam estes mares de passagem ou sazonalmente, onde alguns indivíduos permanecem por períodos de vários meses. Têm sido observadas baleias comuns, baleias tropicais e baleias sardinheiras em alimentação e, para as duas primeiras espécies, foi confirmada a presença de crias nestas águas.

A sub-ordem Odontoceti engloba as várias espécies de golfinhos, de baleotes e o cachalote. Utilizam as águas em redor do arquipélago como área de alimentação e reprodução. Algumas espécies têm uma permanência sazonal (como o golfinho comum) e outras anual (como o golfinho roaz).

Golfinho Comum

Golfinho Roaz

Com o aumento do esforço de observação e do estudo dos cetáceos nas águas da Madeira é possível que espécies até agora não consideradas para estas águas sejam avistadas.

A área de estudo para este projecto será a ZEE da Madeira. O objectivo 1 e 2 do projecto terão como áreas de estudo, as águas costeiras (limite das 12 milhas náuticas) do Arquipélago da Madeira, enquanto o objectivo 3 terá as águas offshore.

A zona económica exclusiva (ZEE) da Madeira tem uma extensão de aproximadamente 377 mil km2 (500 vezes a sua superfície terrestre), incluindo toda a extensão de mar até aos 200 milhas náuticas das costas do arquipélago. Reúne o Arquipélago da Madeira e os bancos submarinos, do Dragão, do Leão, Unicórnio, Ampére, Seine e Suzana.

O Arquipélago da Madeira de origem vulcânica é constituído pelas ilhas da Madeira e do Porto Santo, e por dois sub – arquipélagos, as ilhas Desertas, e as ilhas Selvagens (ambas reservas naturais). A topografia submarina deste arquipélago oceânico caracteriza-se pela ausência de plataforma continental (aumento rápido da profundidade à medida que a distância à costa aumenta), permitindo que espécies marinhas oceânicas, habitantes de águas profundas, se aproximem mais da costa facilitando a sua observação.

Os bancos submarinos são montanhas subaquáticas, de origem vulcânica, que se elevam a pelo menos 1000 metros do fundo marinho, exibindo uma estrutura cónica, sem atingirem, no entanto, a superfície do mar. Caracterizam-se por providenciar habitat a espécies marinhas que não habitam no fundo marinho do oceano profundo. Este tipo de relevo pode causar o desvio de correntes profundas e provocar o movimento de nutrientes para a zona fótica, gerando upwelling. São então considerados como pontos vitais de paragem para espécies marinhas migratórias como os cetáceos.

Objectivos do Projecto

1) Identificação de áreas de importância para o golfinho roaz – corvineiro nas águas costeiras do Arquipélago da Madeira, com o objectivo de estabelecer áreas a integrar a Rede Natura 2000

O estatuto de conservação do golfinho roaz para as águas do arquipélago da Madeira foi avaliado como “Pouco Preocupante”. Contudo, os resultados de estudos desenvolvidos pelo MBM, sugerem que esta espécie tem uma maior ocorrência nas águas costeiras de menor profundidade, as quais estão sujeitas a intensa pressão antropogénica resultante do aumento das actividades humanas na zona costeira, e.g. trafego maritimo, pesca, whale – watching, entre outras. Por conseguinte, os efeitos advindos destas actividades humanas poderão causar uma redução do habitat disponível para o golfinho – roaz no arquipélago da Madeira. Urge, portanto, identificar e gerir de forma sustentável, áreas que sejam sensíveis/cruciais ao golfinho roaz, compatibilizando as actividades humanas com este propósito. O estabelecimento destas áreas irá, também, reforçar a coerência ecológica e conectividade das áreas marinhas da Rede Natura 2000, no Atlântico, especialmente no que diz respeito a esta espécie.
Para atingir este objectivo, serão realizados censos náuticos sistemáticos nas águas costeiras das ilhas da Madeira, Porto Santo e Desertas. Para além dos censos náuticos sistemáticos, o esforço no mar será também orientado para a realização de campanhas de mar para áreas já identificadas como potencialmente importantes para o golfinho roaz, e para outras áreas que possam vir a ser identificadas como tal, pelos censos náuticos sistemáticos acima mencionados. A foto – identificação será uma das ferramentas de estudo a utilizar nestas campanhas de mar.

2) Definição de áreas de operação para as embarcações de observação de cetáceos nas águas do Arquipélago da Madeira, e estabelecer a respectiva capacidade de carga.

Nos últimos anos a actividade de observação de cetáceos teve um rápido crescimento na Ilha da Madeira, assim como em outras partes do mundo.com impactos ainda não totalmente perceptíveis e mensurados nas populações de cetáceos. Dado o actual potencial de mercado da actividade, o número de embarcações a operar no Arquipélago da Madeira tenderá certamente a aumentar. Nesse sentido, para um crescimento sustentável da actividade, que passa pela minimização do impacto sobre os cetáceos (o produto vendido nesta actividade), é importante definir áreas de operação para as embarcações de observação de cetáceos e, respectiva capacidade de carga. Com a definição de áreas de operação e, a respectiva capacidade de carga, pretende-se distribuir a pressão exagerada que possa surgir da concentração de embarcações numa área restrita, pretende-se, portanto, o crescimento saudável e sustentável da indústria, baseado em critérios e conhecimentos sólidos, que minimizem os impactos negativos nos cetáceos e no seu estatuto de conservação.
De forma a atingir este objectivo, censos náuticos sistemáticos serão conduzidos nas águas costeiras das ilhas da Madeira, Porto Santo e Desertas, bem como a inventariação do número de embarcações, e informações sobre a sua operação, designadamente, percursos e área coberta, duração das viagens e outra informação que seja considerada relevante.

3) Vigilância do estatuto de conservação das espécies de cetáceos no mar alto do Arquipélago da Madeira.”

Presentemente a monitorização dos cetáceos no Arquipélago da Madeira é restrita às águas costeiras (limite das 12 milhas náuticas da costa). Este projecto constitui assim uma oportunidade para desenvolver e implementar a vigilância nas águas offshore, numa lógica precaucionária que permita a identificação de ameaças para os cetáceos nessas águas remotas. O conhecimento de possíveis impactos é fundamental para a implementação de medidas mitigadoras, contribuindo para a manutenção ou melhoramento do estatuto de conservação dos cetáceos no Arquipélago da Madeira. As medidas de vigilância a desenvolver durante este projecto serão posteriormente incluídas no Programa de Monitorização Permanente dos Cetáceos no Arquipélago da Madeira.
Para cumprir com este objectivo, as embarcações de pesca (nomeadamente atuneiros), que operam nas águas offshore da ZEE Madeira, servirão como plataformas de observação.

Para mais informações:

Museu de Baleia

Projecto Cetáceos Madeira

Livro dos Cetáceos no Arquipélago da Madeira

Mais Algumas Fotos da Ilha…

Posted in Fotos by Artemisa on 12 de Julho de 2010

Funchal a partir do Monte

Ponta de S. Lourenço

Vista a partir da Boca dos Namorados sobre o Curral das Freiras, Terra Chã, Seara Velha. Lombo Chão e Fajã das Galinhas

Seixal a partir de S. Vicente

Seixal

São Vicente e Ponta Delgada a partir do Seixal

Vista a partir do Farol da Ponta do Pargo

Porto da Cruz a partir da Portela

Penha de Águia, Porto da Cruz

Porto da Cruz

Ribeira Brava e Vale da Ribeira de Serra de Água

Câmara de Lobos e Funchal a partir do Cabo Girão

Ilhéu de Baixo ou da Cal a partir da Ponta da Calheta, Porto Santo

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Ilhas Selvagens

Posted in Escola, Notícias by Artemisa on 13 de Junho de 2010

Habitadas apenas pelos guardas do Parque Natural da Madeira, as Ilhas Selvagens são talvez a parte do território nacional mais desconhecida para os portugueses. Embora a sua superfície seja bem conhecida e documentada, são as suas águas que requerem agora a atenção dos cientistas e estudiosos portugueses que através da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), grupo técnico-científico do Ministério da Defesa Nacional, está a desenvolver uma investigação que irá centrar-se em três vertentes: mar, linha de costa e terra, tendo por objectivo inventariar a fauna, a flora e os habitats marinhos entre os dois mil metros de profundidade e os 70 metros acima do nível do mar, a altitude da Selvagem Grande. Para tal, a missão conta com os navios Almirante Gago Coutinho, Creoula e Vera Cruz (este é uma réplica das caravelas usadas nos Descobrimentos). Participa ainda o robô submarino Luso, operado à distância do Almirante Gago Coutinho, por um cabo.

A expedição marca ainda o arranque do programa Professores a Bordo, da EMEPC, que é inédito em Portugal: embarcadas no Creoula, duas professoras de Biologia e de Geologia do ensino secundário e outras duas destacadas nos centros Ciência Viva de Estremoz e Lagos vão participar na ciência feita numa campanha oceanográfica.

Para quem procura mais informação sobre este arquipélago, deixo algumas sugestões:

Blog Ilhas Selvagens

MadeiraNature

Reserva Natural das Ilhas Selvagens

Fonte: Instituto Hidrográfico Português

Fonte: NASA

Fonte: NASA

Dia Europeu dos Parques Naturais – Espécies Invasoras na Madeira

Posted in Escola, Notícias by Artemisa on 24 de Maio de 2010

Segundo dados da União Internacional da Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, quase 12% da superfície terrestre beneficia actualmente de protecção ambiental, tendo o estatuto de parque nacional, reserva natural, área de paisagem protegida ou outro semelhante. O seu principal objectivo é diminuir o impacto das actividades humanas para salvaguardar os habitats naturais e a continuidade das espécies.

As áreas protegidas em Portugal e nos arquipélagos da Madeira e Açores já foram alvo de um outro post, pelo que não me vou alongar na repetição de informação, de qualquer forma e no dia em que se comemora o Dia Europeu dos Parques Naturais, além de se comemorar também o Ano Internacional da Biodiversidade,  não poderia deixar passar a entrevista publicada hoje, ao Jornal da Madeira do Director do Parque Natural da Madeira, Paulo Oliveira a respeito das espécies invasoras na ilha enquanto problema principal e central de conservação.

“JORNAL da MADEIRA – Este ano assinala-se o Ano da Biodiversidade. Como é que o Parque Natural está e vai comemorar a efeméride?
Paulo Oliveira – Já tive a oportunidade de dizer, um pouco a brincar e muito a sério, que para quem trabalha nesta área todos os anos são anos da biodiversidade. No concreto este é o ano ideal para aproveitar uma maior receptividade da envolvente (pessoas, media, empresas etc) para sublinharmos a importância de que se reveste a conservação da biodiversidade para o nosso bem-estar.

JM – A Biodiversidade apela a um desenvolvimento sustentado. Acha que é isso que acontece na Madeira? Porquê?
P. O. – A Madeira tem sabido preservar a sua biodiversidade numa perspectiva de desenvolvimento sustentado. O grande exemplo disso é a utilização turística que tem sido feita em áreas potencialmente sensíveis como a Laurissilva e áreas protegidas como o Garajau ou as Desertas.
Tem sido permitido o usufruto regrado desta áreas com o consequente retorno económico para os diferentes agentes envolvidos.

JM – A Madeira tem muitas espécies em extinção no território do Parque Natural? Quais e porquê? O que se deverá fazer para diminuir ou eliminar esse risco de extinção e para conservar as espécies?
P. O. – A Região não tem espécies em extinção! O que existem são algumas espécies/habitats que apresentam estatutos de conservação menos favoráveis sobre as quais incidem intensos programas de recuperação. As emblemáticas Freira da Madeira e Lobo Marinho são dois bons exemplos de espécies em vias de recuperação.

JM – O Parque Natural tem necessidade de ser redimensionado ou está bem como está?
P. O. – O Parque Natural da Madeira ocupa dois terços da Ilha da Madeira. Esta taxa de ocupação do território de uma ilha com a densidade populacional da Madeira, por parte de uma área protegida é seguramente caso único no Mundo e deverá ser mantido para bem da nossa biodiversidade, economia e bem estar.
Pontualmente existem algumas situações que podiam ser revistas o que seguramente acontecerá. Isso se se assumir como uma prioridade.

JM – As Selvagens e as Desertas fazem parte da área de Parque Natural. Como é o seu estado, atendendo aos índices de biodiversidade e conservação da natureza? Que projectos estão previstos para ali?
P. O. – Estas Reservas estão sob a jurisdição do Serviço do Parque Natural da Madeira. A biodiversidade das Selvagens e das Desertas tem beneficiado bastante com os sucessivos projectos de conservação aí implementados, dos quais se destacam os esforços de erradicação de espécies invasivas de plantas e animais.

JM – O que pode garantir, no futuro, a biodiversidade madeirense?
P. O. – A continuidade do esforço técnico efectuado com o sempre indispensável envolvimento e empenho politico, que, diga-se claramente, nunca tem faltado nesta matéria.

JM – Que papel deverá ser exercido pelos vigilantes da Natureza? Quantos são? O actual número é suficiente para acudir às necessidades?
P. O. – Os Vigilantes da Natureza são agentes de conservação da natureza. Compete-lhes divulgar, sensibilizar e acompanhar todos aqueles que exercem as suas actividades, de lazer ou profissionais, em áreas sensíveis.
Apesar de também terem uma vertente de intervenção directa na prevenção de infracções, têm um papel complementar e de apoio a outros corpos mais vocacionados para este tipo de intervenção, como seja, o Corpo de Policia Florestal. Actualmente existem 37 vigilantes no quadro, perspectivando-se o reforço deste Corpo com mais 4 elementos para breve. A dedicação e o empenho destes profissionais faz com que o número existente seja suficiente para acudir às principais necessidades.

JM – As espécies invasoras, tanto animais como vegetais, já ameaçam o ecossistema madeirense? O que se poderá fazer para contrariar essas pragas e como evitar que elas entrem no nosso território?
P. O. – As espécies invasoras são o maior problema de conservação dos nossos tempos. Globalmente afectam inúmeros ecossistemas e a Madeira não é excepção. Na vertente do combate a este problema a Região tem em curso projectos com mais de 20 anos.
Em consequência do trabalho efectuado existe um know-how na Região que não tem par no continente Europeu. O SPNM tem sido chamado a participar como consultor em múltiplos projectos que envolvem espécies de vertebrados invasores.
Uma vertente importante, no combate a este tipo de espécies, é a prevenção através da existência de um quadro legal adequado que regule a sua entrada e detenção. A legislação que regulamenta a entrada de espécies animais na Região é extremamente restrita e tem sido bem aplicada pelas diferentes entidades com competência para a sua aplicação.

JM – A Lagoa do Lugar de Baixo é um habitat privilegiado. Como é que a Região poderá valorizá-lo?
P. O. – É importante desmistificar a importância da Lagoa do Lugar de Baixo. Esta Lagoa não constitui um habitat privilegiado. No contexto dos habitats importantes existentes na Região esta lagoa não tem qualquer expressão ou importância.
A conservação desta diminuta área não tem qualquer impacto sobre nenhuma espécie com importância num contexto Europeu (ou sequer nacional). Ocorrem aí alguns indivíduos de espécies migradoras pouco usuais nestas paragens, cujo registo só tem interesse para aqueles que fazem da observação de aves o seu passatempo.
De forma objectiva a verdade é que o interesse para a conservação da natureza desta área é nulo. Por outro lado, por força das infraestruturas aí existentes e das fáceis acessibilidades que proporciona, tem um elevado potencial para a educação ambiental.
Neste enquadramento acredito que o trabalho a ser desenvolvido aí deve continuar; é por aqui que tem lugar a sua valorização.

JM – O turismo de natureza é apontado como tendo um grande futuro. Qual é a sua opinião e como é que se poderá interligar esse factor com a necessidade de proteger as espécies e os locais?
P. O. – Eu acredito que o turismo de natureza afigura-se como o grande sustentáculo económico do esforço de conservação efectuado na Região.
Se forem tomadas opções estratégicas nesse sentido é possível que este esforço seja auto sustentado sem penalizações para o utilizador, que aliás, hoje em dia já está disposto a pagar para ter acesso a estes locais privilegiados.
Eu acredito que temos que apostar num modelo de gestão baseado em áreas protegidas com elevados níveis de visitação e consequente elevado retorno económico para todos os agentes envolvidos, nos quais obviamente se incluem as entidades gestoras destas áreas. A compatibilização com a preservação das espécies e habitats é simples e passa pela criação de regras claras que definam locais onde a actividade humana regrada possa ocorrer.

JM – Para quando uma listagem completa das espécies existentes na Região?
P. O. – Esta listagem já existe (desde 2008) e resulta de um trabalho coordenado pela DR do Ambiente. Está disponível em livro e o seu download disponível de forma gratuita na internet.

JM – O Porto Santo também terá projectos de conservação? Quais?
P. O. – O grande projecto de conservação da natureza do Porto Santo começou com a criação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo e pela classificação, na ilha e ilhéus adjacentes, de duas Zonas Especiais de Conservação da Rede Natura 2000.
Os Planos de Ordenamento e Gestão destas áreas apontam para que os projectos de conservação dêem grande prioridade à recuperação de habitats através da erradicação/controlo de espécies de plantas e animais introduzidas.

JM – A Freira da Madeira, o pombo trocaz e a manta são algumas das aves que têm mecanismos de protecção. São para continuar? Que outras aves podem ser incluídas no rol?
P. O. – As espécies apontadas são só alguns exemplos daquelas abrangidas pela nossa estratégia de conservação da natureza. Penso que de uma forma global as aves são um grupo muito bem protegido na Região e não existe espaço nem necessidade para dar prioridade ao aumento da nossa intervenção neste campo. Ao nível dos vertebrados penso que um grupo que merece a nossa atenção é o dos morcegos. Aqui estamos claramente a falar de espécies que necessitam de maior atenção.

JM – Que projectos inovadores serão lançados, nos próximos anos, pelo Parque Natural?
P. O. – Eu pessoalmente gostava que a marca da inovação e da diferença viesse de projectos que conduzissem a uma conservação da natureza participada por todos e auto sustentada. É no contexto desta Visão que irão surgir os nossos próximos projectos.

JM – O que se poderá fazer mais para sensibilizar as pessoas para a protecção da natureza e para a biodiversidade?
P. O. – Enviar um convite para visitarem, numa perspectiva de lazer, as nossas áreas protegidas. Enviar um convite para usufruírem da natureza e da nossa biodiversidade. Ter uma biodiversidade rica desligada das pessoas é como ter uma biblioteca onde os livros não podem sair das prateleiras.
Não existe melhor sensibilização do que desmistificar a velha mentalidade de que por um lado está a conservação da natureza e por outro as pessoas! Se conseguirmos estabelecer uma relação directa entre pessoas e biodiversidade a protecção do nosso património natural está garantido e, só na Região, teremos cerca de 280.000 vigilantes da natureza!”

Miguel Angelo, Jornal da Madeira, 21/Maio/2010

Para informação mais detalhada poderá consultar o site do Parque Natural da Madeira, clicando aqui.

Hoje Descobri as Cagarras

Posted in Notícias by Artemisa on 28 de Abril de 2010

Não as ilhas mas a ave.

Estava com uma amiga numa última conversa antes de cada uma de nós entrar no seu carro de regresso a casa, quando começo a ouvir um som que não se assemelhava a nada que já tivesse ouvido ou que me fosse, de alguma forma, familiar! E perguntei-lhe:

– “Que som é este?”. Ao que ela me responde:

– “É uma cagarra”.

Fonte: Galeria de Tomás Martins em http://www.flickr.com/photos/avesdeportugal/

Nunca tinha visto nem ouvido falar de tal ave mas confesso que fiquei fascinada!Para quem, como eu, nunca ouviu falar, deixo aqui algumas informações.

Nome vulgar: Cagarra.

Nome científico: Calonectris diomedea borealis (Cory, 1881)

Família: Procelariidae

Distribuição e Habitat: Ave pelágica que corre no arquipélago da Madeira e que nidifica em pequenas ilhas, ilhéus e falésias costeiras. Nas Selvagens (uma das primeiras Áreas Protegidas de Portugal), nidifica no solo entre a vegetação rasteira devido à ausência de perturbações.

Descrição: Ave marinha de grande envergadura, nas asas varia entre 100 e 125 cm. As fêmeas pesam em média 780g, os machos são maiores e pesam cerca de 900g. Pode ser identificada pelo seu voo rápido e planado.

Estatuto de Conservação e Ameaças: Espécie de menor preocupação. População superior a 10000 casais com uma extensa área de ocorrência. Das aves marinhas nidificantes no Arquipélago da Madeira, a Cagarra é a mais bem estudada. A maior colónia desta espécie situa-se nas Ilhas Selvagens.

As cagarras são aves migratórias de longa distância, que passam a maior parte da vida voando sobre os oceanos de águas temperadas a frias. O seu único contacto com terra é na época de reprodução, quando se reúnem em ilhas e áreas costeiras para nidificar em zonas rochosas.

É nos arquipélagos da Madeira e dos Açores que se encontra a maior concentração mundial de cagarras, espécie que se encontra em regressão a nível mundial devido à vulnerabilidade que apresenta e à presença de predadores terrestres e à actividade humana. Por esse facto foi necessário proceder por via da lei à protecção desta ave marinha com leis nacionais e internacionais, que impedem a sua captura, detenção ou abate, assim como a destruição ou danificação do seu habitat.

Trata-se da ave marinha mais abundante nos Açores, região a que regressa todos os anos em Março para acasalar e nidificar.

Todos os anos as cagarras regressam à mesma ilha e ao mesmo ninho onde se reproduziram pela primeira vez. O parceiro é sempre o mesmo todos os anos e os rituais de reconhecimento e acasalamento são complexos. As crias nascem em Maio e em Outubro abandonam os ninhos rumo ao mar. Só regressam para se reproduzir passados 5 anos.

Para quem não souber como é o canto, pode ouvir no vídeo.

No ano em que se celebra a Biodiversidade, nada como descobrir “novas” espécies!!

Uma Páscoa Diferente…

Posted in Pessoal by Artemisa on 7 de Abril de 2010

Com a visita dos pais à Pérola do Atlântico, a Páscoa este ano foi um pouco diferente do habitual, o cabrito assado foi substituído pela espetada regional, as visitas às tias e tios foi substituída pelo passeio pela ilha, a subida à Estrela pela descida ao mar!! Não foi por isso que foi menos bom, pois afinal o que faz a diferença são as pessoas e não os lugares.

Alguns dos lugares visitados

Santana

Eira do Serrado

Porto da Cruz

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Festa da Flor 2010

Posted in Notícias by Artemisa on 6 de Abril de 2010

Logo a seguir ao cartaz das festas de Natal e Final de Ano, a Festa da Flor é aquele que maior retorno económico traz à Região, que pela sua diferenciação e singularidade, ocupa um lugar de indiscutível importância no panorama turístico regional. Acontece já há vários anos, durante o mês de Abril, dando as boas vindas à Primavera e quando, dizem os especialistas, as flores estão no seu esplendor.

Este ano, esta iniciativa é subordinada ao tema “Terra”, associando-se às comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade e, ganha ainda maior importância, depois do temporal do passado dia 20 de Fevereiro.

Nunca assisti mas confesso que, este ano não vou perder, porque estou cá e porque adoro flores!!

Festa da Flor 2010 (clique no cartaz para mais informações)

FESTA DA FLOR DA MADEIRA – 2010

Programa Provisório

Tema: “Terra”

15 de Abril – Quinta-feira

17h30 – Mercado das Flores – Esculturas de flores em tamanho natural – Placa Central da Avenida Arriaga (frente à SRTT), até 20 de Abril

Tapetes Florais – Placas Centrais da Avenida Arriaga (Sé, Teatro e Loja do Cidadão) e Largo do Chafariz

55.º Exposição da Flor no Largo da Restauração – SRA

Animação na baixa citadina

15h00 – 20h00 – Grupos Folclóricos

16 de Abril – Sexta-feira

Animação na baixa citadina

10h00 – 15h00 – Grupos Folclóricos

15h00 – 20h00 – Grupos Folclóricos

17 de Abril – Sábado

Cerimónia do Muro da Esperança

10h00 – Cortejo Infantil com a presença de milhares de crianças.

Itinerário: Concentração na Avenida Arriaga – 9h00 – frente ao Jardim Municipal, Avenida Zarco, Rua Câmara Pestana e Praça do Município.

11h00 – Construção simbólica do Muro da Esperança mediante a deposição de uma flor por cada criança participante na Praça do Município.

Largada de pombos e espectáculo infantil com grupo de animação.

Animação na baixa citadina

15h00 – 20h00 – Grupos Folclóricos

18 de Abril – Domingo

Animação na baixa citadina

10h00 – 15h00 – Grupos Folclóricos

16h00 – Cortejo Alegórico da Flor

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