GRÃO DE AREIA

Sismo e Erupção Vulcânica na Indonésia

Posted in Notícias by Artemisa on 27 de Outubro de 2010

Um abalo de magnitude 7,7 ocorreu segunda-feira à noite no mar, a 14,2 quilómetros de profundidade, ao largo da costa ocidental da Indonésia. Algum tempo depois, uma onda com três metros de altura atingiu as aldeias costeiras no remoto arquipélago de Mentawai. Segundo testemunhas, a vaga gigante chegou a penetrar 600 metros por terra adentro.

A zona em causa está localizada a 240 quilómetros a oeste de Bengkulu, na ilha de Sumatra, e a 280 quilómetros a sul de Padang, numa região muito frequentada por turistas. A linha de fractura sísmica onde se deu o tremor foi a mesma que em 2004 provocou o gigantesco tsunami do Oceano Índico que matou 230.000 pessoas em mais de uma dezena de países.

Localização do Arquipélago de Mentawai

Fonte: http://earthobservatory.nasa.gov/NaturalHazards/view.php?id=46607

A coincidir com o sismo e tsunami de ontem está um acumular de pressão no vulcão do monte Merapi, considerado o mais volátil da Indonésia.

Nos últimos dias o Vulcão tem vindo a crescer de actividade, pelo que as autoridades de Jakarta elevaram o nível de alerta e procederam à evacuação de várias aldeias situadas no sopé da montanha.

A última erupção do monte Merapi foi em 2006. Duas pessoas morreram então, vitimadas por uma avalancha de rocha e gases incandescentes. Em 1994 uma erupção semelhante tinha provocado 60 mortos e uma outra, em 1930, fez, pelo menos, 1300 vítimas mortais.

Monte Merapi, Indonésia

O número de mortos, feridos e desaparecidos tem vindo a aumentar, contudo será difícil calcular o seu número correcto devido ao mau tempo que se verifica na região que tem dificultado o acesso ao local e, consequentemente, a ajuda às vítimas por parte das equipas de salvamento.

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Mais Uma Vez a Biodiversidade em Risco!

Posted in Notícias by Artemisa on 1 de Outubro de 2010

“A destruição da floresta em Madagáscar está a empurrar para a extinção a pequena palmeira Dypsis brevicaulis. Estima-se que a população mundial esteja agora reduzida a 50 plantas em três locais. Mas não é caso único. O grupo mais ameaçado é o das Gimnospérmicas, onde se incluem os pinheiros e as araucárias e o habitat que, de momento, mais preocupa é a floresta tropical. E é nos trópicos que se concentra a maioria das espécies ameaçadas.

Para chegar a estas conclusões, os investigadores dos Kew Gardens, do Museu de História Natural de Londres e da UICN (União Mundial de Conservação da Natureza) estudaram uma amostra de 7000 espécies – dos principais grupos de plantas, como os Briófitos, Pteridófitos, Gimnospérmicas e Angiospérmicas -, representativas das 380 mil conhecidas actualmente. Do trabalho resultou o primeiro estudo à dimensão da ameaça ao mundo vegetal.

E os resultados não surpreenderam ninguém. “O estudo confirma aquilo que já suspeitávamos, ou seja, que as plantas estão ameaçadas e que a principal causa é a perda de habitat induzida pelo ser humano”. O relatório refere, especificamente, a conversão de habitats em solos agrícolas e para pastagens. No Sudeste asiático, as plantações de óleo de palma estão a causar um “efeito devastador nas florestas tropicais nativas”, ameaçando “muitas espécies de plantas”. Já na Austrália, ecossistemas inteiros estão a entrar em colapso devido à infestação do fungo Phytophthora cinnamomi que causa o apodrecimento das raízes. E se os Estados Unidos, Europa e Ásia não têm espécies muito ameaçadas, os autores alertam para a crescente expansão e intensificação de práticas agrícolas e desenvolvimento urbano.

A partir daqui, este relatório faz caminho até à Cimeira da ONU dedicada à Biodiversidade, em meados de Outubro em Nagoya, Japão. “A meta para a biodiversidade em 2020 que será discutida em Nagoya é ambiciosa. Mas numa altura em que aumenta a perda da biodiversidade, é inteiramente apropriado intensificar os nossos esforços”. “As plantas são a fundação da biodiversidade e o seu significado em tempos climáticos, económicos e políticos incertos tem sido descurado há muito tempo”.


Os responsáveis adiantam que este projecto vai ser revisto periodicamente, para “monitorizar o destino das plantas”, mostrando onde e que tipo de acção é necessária. Ainda assim, esta não será uma missão fácil. Avaliar a ameaça às plantas (com 380 mil espécies estimadas) é mais complicado do que fazer o mesmo em relação às aves (9998 espécies), mamíferos (quatro mil) ou anfíbios (6433).”

Artigo retirado do Jornal Público online, no dia 29/10/2010 por Helena Geraldes

DT 2009/2010 EBECL

Posted in Escola, Pessoal by Artemisa on 29 de Junho de 2010

Sucesso exige trabalho e esforço, uns mais que outros conseguiram, mas nunca é tarde para começar…

Obrigado pelo que me ensinaram ao longo deste ano e que todos os vossos sonhos se concretizem!

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Senhoras e Senhores Finalistas do 9ºAno EBECL

Posted in Escola by Artemisa on 5 de Junho de 2010

Faltam muitos mas apenas nas fotos.

Espero que tenham um futuro brilhante à vossa frente, que concretizem os vossos sonhos de agora e todos aqueles que irão surgir ao longo da vossa vida. Trabalhem, esforcem-se e tentem sempre superar-se!

Obrigado por tudo aquilo que convosco aprendi.

“Façam o favor de ser felizes”

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Urbanização e a “Litoralização”

Posted in Escola, Notícias by Artemisa on 24 de Maio de 2010

“Um lugar à janela de um avião pode fazer mais pelo conhecimento do ordenamento do território do que por perder o medo de voar. Mas, noutras latitudes, a forma arrumada das cidades não tem apenas um valor paisagístico – serve também um urbanismo sustentável, conceito que, segundo algumas opiniões, ainda está longe da realidade portuguesa. Um dos problemas é a insistente migração do interior para o litoral.

São dois fenómenos distintos, mas que concorrem para que, no futuro, o país possa ser olhado com duas extensas faixas urbanizadas viradas ao mar: uma de Lisboa à Galiza e outra de Sagres a Vila Real de Santo António. Como nota Vasco Mantas, colaborador do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, a litoralização do país teve o seu grande impulso na época romana. “Criou-se uma dinâmica que vai ser difícil de contrariar”, constata. A principal desvantagem reside nos custos com a desertificação nos municípios do interior, “que têm de assegurar a manutenção de um conjunto de actividades e serviços caros para servir uma população reduzida”.

O Algarve, por exemplo, “está perdido”, sentencia o historiador, para quem o litoral alentejano ainda pode ser devidamente aproveitado, desde que sem a criação de “uma Saint-Tropez de quarta categoria, que induz um tipo de turismo em que não vale a pena apostar”. No entanto, não se mostra nada optimista com as consequências de ocupação do litoral “de Lisboa até à Corunha”.

Duas realidades

Segundo o panorama actual, grosso modo, 70 por cento da população habita ao longo da costa ocidental e apenas 30 por cento vive no interior, ao longo da fronteira com Espanha. O projecto Duas Linhas, dos arquitectos Pedro Campos Costa e Nuno Louro, registou os ritmos e paisagens destes dois lados do país, através de uma recolha fotográfica levada a cabo em duas linhas paralelas traçadas de norte a sul. O livro (com a colaboração analítica de Mário Alves, Álvaro Domingues, João Nunes, Samuel Rego e João Seixas), a par de uma exposição (que se quer itinerante), confirmou tendências, mas mostrou os riscos das generalizações. “Nem sempre a costa é mais densa e o interior menos ocupado”, comenta ao Cidades Pedro Campos Costa, acrescentando que o maior problema reside na dispersão urbanística, pois é mais rentável construir na periferia das cidades do que reabilitar nos perímetros urbanos.

O arquitecto usa a sangria de habitantes em Lisboa – à razão de 100 mil pessoas por cada década – para defender uma alteração da política imobiliária, que permita atrair de novo população para o centro da cidade, com evidentes ganhos sociais. Até porque, salienta, “existe uma consciencialização cada vez maior para os problemas económicos, ambientais e arquitectónicos” decorrentes da dispersão urbana.

Faltam cidades médias

O geógrafo Jorge Gaspar refere dois exemplos de construção contida que devem ser acompanhados: a Quinta do Conde, na margem sul do Tejo, e o Parque das Nações, na frente ribeirinha da zona oriental de Lisboa. “O Parque das Nações foi um bocado mais caro”, aproveita para ironizar o especialista do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, que esta semana proferiu uma conferência intitulada Geografia e Ordenamento do Território: Desafios e Respostas. A diferença do custo entre uma e outra urbanização traduz-se, também, na necessidade de dotar o núcleo urbano do concelho de Sesimbra de equipamentos.

A dispersão urbanística, explica Jorge Gaspar, tem diversas facetas e origens. Trata-se de um fenómeno que resulta de “uma alteração nos estilos de vida e de urbanização das pessoas”. Está associado mais recentemente a uma natureza especulativa, onde o direito de propriedade se sobrepõe à aptidão dos terrenos, mas também desde tempos mais recuados à necessidade de assegurar habitação para uma mão-de-obra industrial ou agrícola (esta mais sazonal) de determinada região. Foi assim na margem sul do Tejo, como ao longo da Linha de Sintra, para alimentar o sector dos serviços na capital. Seja como for, em ambos os casos, os custos decorrentes deste consumo desregrado de solos não se resume apenas ao desbaratar de áreas que poderiam servir para outros fins mas também ao aumento nos gastos com infra-estruturação.

Um cenário que Jorge Gaspar não se coíbe de classificar como “desastroso em todo o Algarve”. Embora seja crítico da dispersão urbanística na região algarvia e censure a aposta num desenvolvimento predador de recursos naturais, não lamenta uma maior ocupação da faixa litoral: “A desconsolação é ter um país que está litoralizado, mas que não aproveita nada do mar”. Natural, para o geógrafo, será que se retire partido do litoral, para a circulação e o comércio. Ao mesmo tempo que se devem assegurar cidades de média dimensão que proporcionem consistência económica e social ao interior.

Analisar a envolvente

A Escola de Arquitectura da Universidade do Minho, em Guimarães, tem vindo a estudar a situação crítica da realidade envolvente. Segundo Vincenzo Riso, professor auxiliar, o vale do Ave sempre se caracterizou por ser uma zona agrícola fértil, mas alcançou “um original desenvolvimento industrial”, através da instalação de unidades têxteis junto aos cursos de água. “Deste modo, ao longo do tempo, as actividades agrícolas, os núcleos habitacionais e as fábricas desenvolveram entre si estreitas ligações”, esclarece o arquitecto, adiantando que o crescimento económico das últimas décadas originou um “conjunto de infinitos fragmentos rurais e urbanos”.

O investigador admite que, “além da indispensável atenção para zonas específicas a salvaguardar”, deve ser colocada especial atenção nos “valores funcionais, sociais e estéticos do território no seu conjunto”. E acrescenta: “Para além das questões estéticas e sociais (a paisagem como valor social), em termos económicos a dispersão das construções viabiliza actividades flexíveis e de pequena dimensão, mas implica uma grande extensão das redes infra-estruturais, cujos custos acrescentados acabam por incidir sobre a colectividade”.

A escola de arquitectura promove, na próxima terça-feira (18h), um debate em redor do projecto Duas Linhas, com a presença de Pedro Campos Costa e Nuno Louro. Uma oportunidade para se analisar, como sublinha Vincenzo Riso, o quanto “o território é um bem limitado e não renovável e, no longo prazo, a urbanização difusa vai acabar por tornar-se insustentável”. Há forma de travar esta tendência? “Acima de tudo, trata-se de um problema cultural, que também envolve modelos de desenvolvimento económico; talvez não seja por acaso que todos os países da Europa do Sul sofrem deste tipo de problema, muito mais do que os da Europa do Norte”, vinca o professor da Universidade do Minho.

Prevenir os riscos

Se a receita para o desordenamento passa pela contenção urbanística, a concentração no litoral não merece crítica de João Alveirinho Dias, especialista em dinâmica costeira, desde que “a construção respeite o funcionamento natural dos sistemas”. Para este investigador, não há problema no aproveitamento da longa faixa de costa do país e “a única restrição que existe é fundamentalmente não se dever construir em zonas de risco”. Junto ao litoral, explica, “há várias zonas que são muito dinâmicas e, por isso, aí não devia haver qualquer construção”.

O mesmo especialista, ligado à Universidade do Algarve, destaca a ria Formosa como uma das zonas no Sul do país onde a situação “é extremamente problemática”, devido às ameaças que as pressões imobiliária e turística colocam à preservação da frágil língua de areia que separa a ria do mar. “O turismo de massas é muito predatório dos ecossistemas”, alerta. A norte, o cordão dunar da lagoa de Aveiro também deve ser preservado de edificações.

Ria Formosa

Ria de Aveiro

Os cuidados devem ser estendidos às zonas de costa escarpada. “As arribas estão a evoluir e a recuar. Se construirmos no topo da arriba estamos a arranjar problemas para o futuro”, avisa Alveirinho Dias, que reafirma não temer a litoralização se não se fizer através de uma ocupação desregrada, como aconteceu no Algarve. Caso contrário, para utilização apenas sazonal, “estaremos a fazer cidades-fantasma”.”

Por Luís Filipe Sebastião, Público de 23/Maio/2010

Dia Europeu dos Parques Naturais – Espécies Invasoras na Madeira

Posted in Escola, Notícias by Artemisa on 24 de Maio de 2010

Segundo dados da União Internacional da Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, quase 12% da superfície terrestre beneficia actualmente de protecção ambiental, tendo o estatuto de parque nacional, reserva natural, área de paisagem protegida ou outro semelhante. O seu principal objectivo é diminuir o impacto das actividades humanas para salvaguardar os habitats naturais e a continuidade das espécies.

As áreas protegidas em Portugal e nos arquipélagos da Madeira e Açores já foram alvo de um outro post, pelo que não me vou alongar na repetição de informação, de qualquer forma e no dia em que se comemora o Dia Europeu dos Parques Naturais, além de se comemorar também o Ano Internacional da Biodiversidade,  não poderia deixar passar a entrevista publicada hoje, ao Jornal da Madeira do Director do Parque Natural da Madeira, Paulo Oliveira a respeito das espécies invasoras na ilha enquanto problema principal e central de conservação.

“JORNAL da MADEIRA – Este ano assinala-se o Ano da Biodiversidade. Como é que o Parque Natural está e vai comemorar a efeméride?
Paulo Oliveira – Já tive a oportunidade de dizer, um pouco a brincar e muito a sério, que para quem trabalha nesta área todos os anos são anos da biodiversidade. No concreto este é o ano ideal para aproveitar uma maior receptividade da envolvente (pessoas, media, empresas etc) para sublinharmos a importância de que se reveste a conservação da biodiversidade para o nosso bem-estar.

JM – A Biodiversidade apela a um desenvolvimento sustentado. Acha que é isso que acontece na Madeira? Porquê?
P. O. – A Madeira tem sabido preservar a sua biodiversidade numa perspectiva de desenvolvimento sustentado. O grande exemplo disso é a utilização turística que tem sido feita em áreas potencialmente sensíveis como a Laurissilva e áreas protegidas como o Garajau ou as Desertas.
Tem sido permitido o usufruto regrado desta áreas com o consequente retorno económico para os diferentes agentes envolvidos.

JM – A Madeira tem muitas espécies em extinção no território do Parque Natural? Quais e porquê? O que se deverá fazer para diminuir ou eliminar esse risco de extinção e para conservar as espécies?
P. O. – A Região não tem espécies em extinção! O que existem são algumas espécies/habitats que apresentam estatutos de conservação menos favoráveis sobre as quais incidem intensos programas de recuperação. As emblemáticas Freira da Madeira e Lobo Marinho são dois bons exemplos de espécies em vias de recuperação.

JM – O Parque Natural tem necessidade de ser redimensionado ou está bem como está?
P. O. – O Parque Natural da Madeira ocupa dois terços da Ilha da Madeira. Esta taxa de ocupação do território de uma ilha com a densidade populacional da Madeira, por parte de uma área protegida é seguramente caso único no Mundo e deverá ser mantido para bem da nossa biodiversidade, economia e bem estar.
Pontualmente existem algumas situações que podiam ser revistas o que seguramente acontecerá. Isso se se assumir como uma prioridade.

JM – As Selvagens e as Desertas fazem parte da área de Parque Natural. Como é o seu estado, atendendo aos índices de biodiversidade e conservação da natureza? Que projectos estão previstos para ali?
P. O. – Estas Reservas estão sob a jurisdição do Serviço do Parque Natural da Madeira. A biodiversidade das Selvagens e das Desertas tem beneficiado bastante com os sucessivos projectos de conservação aí implementados, dos quais se destacam os esforços de erradicação de espécies invasivas de plantas e animais.

JM – O que pode garantir, no futuro, a biodiversidade madeirense?
P. O. – A continuidade do esforço técnico efectuado com o sempre indispensável envolvimento e empenho politico, que, diga-se claramente, nunca tem faltado nesta matéria.

JM – Que papel deverá ser exercido pelos vigilantes da Natureza? Quantos são? O actual número é suficiente para acudir às necessidades?
P. O. – Os Vigilantes da Natureza são agentes de conservação da natureza. Compete-lhes divulgar, sensibilizar e acompanhar todos aqueles que exercem as suas actividades, de lazer ou profissionais, em áreas sensíveis.
Apesar de também terem uma vertente de intervenção directa na prevenção de infracções, têm um papel complementar e de apoio a outros corpos mais vocacionados para este tipo de intervenção, como seja, o Corpo de Policia Florestal. Actualmente existem 37 vigilantes no quadro, perspectivando-se o reforço deste Corpo com mais 4 elementos para breve. A dedicação e o empenho destes profissionais faz com que o número existente seja suficiente para acudir às principais necessidades.

JM – As espécies invasoras, tanto animais como vegetais, já ameaçam o ecossistema madeirense? O que se poderá fazer para contrariar essas pragas e como evitar que elas entrem no nosso território?
P. O. – As espécies invasoras são o maior problema de conservação dos nossos tempos. Globalmente afectam inúmeros ecossistemas e a Madeira não é excepção. Na vertente do combate a este problema a Região tem em curso projectos com mais de 20 anos.
Em consequência do trabalho efectuado existe um know-how na Região que não tem par no continente Europeu. O SPNM tem sido chamado a participar como consultor em múltiplos projectos que envolvem espécies de vertebrados invasores.
Uma vertente importante, no combate a este tipo de espécies, é a prevenção através da existência de um quadro legal adequado que regule a sua entrada e detenção. A legislação que regulamenta a entrada de espécies animais na Região é extremamente restrita e tem sido bem aplicada pelas diferentes entidades com competência para a sua aplicação.

JM – A Lagoa do Lugar de Baixo é um habitat privilegiado. Como é que a Região poderá valorizá-lo?
P. O. – É importante desmistificar a importância da Lagoa do Lugar de Baixo. Esta Lagoa não constitui um habitat privilegiado. No contexto dos habitats importantes existentes na Região esta lagoa não tem qualquer expressão ou importância.
A conservação desta diminuta área não tem qualquer impacto sobre nenhuma espécie com importância num contexto Europeu (ou sequer nacional). Ocorrem aí alguns indivíduos de espécies migradoras pouco usuais nestas paragens, cujo registo só tem interesse para aqueles que fazem da observação de aves o seu passatempo.
De forma objectiva a verdade é que o interesse para a conservação da natureza desta área é nulo. Por outro lado, por força das infraestruturas aí existentes e das fáceis acessibilidades que proporciona, tem um elevado potencial para a educação ambiental.
Neste enquadramento acredito que o trabalho a ser desenvolvido aí deve continuar; é por aqui que tem lugar a sua valorização.

JM – O turismo de natureza é apontado como tendo um grande futuro. Qual é a sua opinião e como é que se poderá interligar esse factor com a necessidade de proteger as espécies e os locais?
P. O. – Eu acredito que o turismo de natureza afigura-se como o grande sustentáculo económico do esforço de conservação efectuado na Região.
Se forem tomadas opções estratégicas nesse sentido é possível que este esforço seja auto sustentado sem penalizações para o utilizador, que aliás, hoje em dia já está disposto a pagar para ter acesso a estes locais privilegiados.
Eu acredito que temos que apostar num modelo de gestão baseado em áreas protegidas com elevados níveis de visitação e consequente elevado retorno económico para todos os agentes envolvidos, nos quais obviamente se incluem as entidades gestoras destas áreas. A compatibilização com a preservação das espécies e habitats é simples e passa pela criação de regras claras que definam locais onde a actividade humana regrada possa ocorrer.

JM – Para quando uma listagem completa das espécies existentes na Região?
P. O. – Esta listagem já existe (desde 2008) e resulta de um trabalho coordenado pela DR do Ambiente. Está disponível em livro e o seu download disponível de forma gratuita na internet.

JM – O Porto Santo também terá projectos de conservação? Quais?
P. O. – O grande projecto de conservação da natureza do Porto Santo começou com a criação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo e pela classificação, na ilha e ilhéus adjacentes, de duas Zonas Especiais de Conservação da Rede Natura 2000.
Os Planos de Ordenamento e Gestão destas áreas apontam para que os projectos de conservação dêem grande prioridade à recuperação de habitats através da erradicação/controlo de espécies de plantas e animais introduzidas.

JM – A Freira da Madeira, o pombo trocaz e a manta são algumas das aves que têm mecanismos de protecção. São para continuar? Que outras aves podem ser incluídas no rol?
P. O. – As espécies apontadas são só alguns exemplos daquelas abrangidas pela nossa estratégia de conservação da natureza. Penso que de uma forma global as aves são um grupo muito bem protegido na Região e não existe espaço nem necessidade para dar prioridade ao aumento da nossa intervenção neste campo. Ao nível dos vertebrados penso que um grupo que merece a nossa atenção é o dos morcegos. Aqui estamos claramente a falar de espécies que necessitam de maior atenção.

JM – Que projectos inovadores serão lançados, nos próximos anos, pelo Parque Natural?
P. O. – Eu pessoalmente gostava que a marca da inovação e da diferença viesse de projectos que conduzissem a uma conservação da natureza participada por todos e auto sustentada. É no contexto desta Visão que irão surgir os nossos próximos projectos.

JM – O que se poderá fazer mais para sensibilizar as pessoas para a protecção da natureza e para a biodiversidade?
P. O. – Enviar um convite para visitarem, numa perspectiva de lazer, as nossas áreas protegidas. Enviar um convite para usufruírem da natureza e da nossa biodiversidade. Ter uma biodiversidade rica desligada das pessoas é como ter uma biblioteca onde os livros não podem sair das prateleiras.
Não existe melhor sensibilização do que desmistificar a velha mentalidade de que por um lado está a conservação da natureza e por outro as pessoas! Se conseguirmos estabelecer uma relação directa entre pessoas e biodiversidade a protecção do nosso património natural está garantido e, só na Região, teremos cerca de 280.000 vigilantes da natureza!”

Miguel Angelo, Jornal da Madeira, 21/Maio/2010

Para informação mais detalhada poderá consultar o site do Parque Natural da Madeira, clicando aqui.

2ª Cimeira dos BRIC: “Uma Nova Geografia Mundial”

Posted in Notícias by Artemisa on 18 de Abril de 2010

BRIC é uma sigla criada a partir da inicial de Brasil, Rússia, Índia e China, países emergentes considerados elite entre os países em desenvolvimento .

O termo surgiu em 2001 após um relatório do grupo Goldman Sachs: “Building Better Global Economic Brics”. Segundo esse relatório, os quatro países podem chegar a ficar entre as 10 principais economias do mundo até 2050. A China já ultrapassou a Alemanha e pode chegar ao primeiro lugar em matéria de volume do Produto Interno Bruto, ultrapassando os Estados Unidos, nos próximos anos. Aliás, o PIB chinês cresce, em média, 10% ao ano, muito mais que a média mundial de cerca de 4%.

Brasil, Rússia, Índia e China detêm 26% do território, 42% da população e 14,5% do PIB mundial. Nos últimos cinco anos, contribuíram com mais de 50% da expansão do PIB mundial, de acordo com as últimas estatísticas.
Os laços económicos e políticos no interior do BRIC também foram fortalecidos. Um sinal disto, entre outros, é o facto da China ter se transformado, em 2009, na principal parceira comercial do Brasil, ultrapassando os EUA. As diferenças e assimetrias, assim como a proeminência chinesa, também são notáveis, embora aparentemente não constituam um obstáculo intransponível à unidade política. De referir que a China, sozinha, responde por 7,1% do PIB mundial e se os países do BRIC realizam 14,5% das exportações mundiais, nada menos que 9,1% são responsabilidade daquela nação asiática, que lidera o ranking das vendas internacionais e vem também ocupando uma fatia crescente do comércio com Brasil, Rússia e Índia.

Reunidos na passada quinta-feira (15/Abril/210) na capital Brasileira, os líderes dos países que constituem o grupo BRIC, assinaram um acordo com vista ao reforço da cooperação para financiamento e oportunidades de investimento entre eles.

O banco estatal russo Vnesheconombank, o China Development Bank Corporation, o Banco de Desenvolvimento brasileiro BNDES e do Banco de Exportação e Importação da Índia, foram os bancos envolvidos na criação de uma infra-estrutura efectiva na segurança financeira do comércio multilateral e na cooperação económica e de investimento dos quatro países.

Apesar da sua diversidade, as quatro potências globais emergentes reuniram pela segunda vez, e parecem querer dizer ao mundo que a grande crise e a habilidade estratégica de B. Obama não paralisou o grupo. A 1ª cimeira  realizou-se em Ecaterimburgo, na Rússia, a  16 de Junho de 2009. A ideia fundamental então, pode resumir-se numa frase: “assistíamos ao princípio do fim do século americano” .

As quatro potências aproveitaram, agora, para dar um outro sinal: que, no final das contas, são elas que saem desta Grande Recessão como “ganhadoras”, e o Presidente brasileiro dizia, no final da Cimeira, que se assistia a “uma nova geografia mundial”.

Da esquerda para a direita: Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da China Hu Jintao e o Primeiro Ministro Indiano Manmohan Singh na Reunião dos países BRIC em Brasília. Fonte: AP

Do comunicado final de Brasília sai um documento de objectivos geopolíticos muito clara e dura, que pode ser resumida em cinco pontos principais, cuja concretização terá de ser acompanhada ao longo do ano:

1. Reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde já têm assento a Rússia e a China. Revindicação de que o Brasil e a Índia devem ganhar assento permanente;

2. Reforma do poder de voto do Banco Mundial nas próximas reuniões da Primavera;

3. Reforma das quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI) a ser concluída até à cimeira do G20 em Novembro;

4. “No jobs for the (West) boys” nas posições  de direcção da Banco Mundial e do FMI;

5. Estudo, sugerido pela Rússia, da viabilidade de desenvolvimento do comércio entre as quatro economias com bases nas divisas respectivas.

Actualmente os BRIC não formam um bloco político (como a União Europeia), nem uma aliança de comércio formal (como o Mercosul e a ALCA), e muito menos uma aliança militar (como a OTAN), mas constituíram uma aliança através de vários tratados de comércio e cooperação assinados em 2002.

Os BRIC, apesar de ainda não serem as maiores economias mundiais, estão em processo de desenvolvimento político e económico e já fazem sentir sua influência – a exemplo do que ocorreu na reunião da OMC em 2005, quando os países em desenvolvimento, liderados por Brasil e Índia, se juntaram aos países em desenvolvimento para impor a retirada dos subsídios governamentais pela União Europeia e pelos Estados Unidos, e a redução das tarifas de importação.

Se considerado como um bloco económico, em 2050, o grupo dos BRIC já poderá ter ultrapassado a União Europeia e os Estados Unidos da América. Entre os países do grupo haveria uma clara divisão de funções. O Brasil e a Rússia seriam os maiores fornecedores de matérias-primas – o Brasil como grande produtor de alimentos e a Rússia, de petróleo – enquanto os serviços e produtos manufacturados seriam principalmente providos pela Índia e pela China, onde há grande concentração de mão-de-obra e tecnologia.

Vulcão Eyjafjallajokull: Actualização

Posted in Notícias by Artemisa on 17 de Abril de 2010

A Agência Europeia de Tráfego Aéreo (Eurocontrol), que monitoriza o espaço aereo de 38 países, afirmou que dois terços dos 28 mil voos de todo o continente foram cancelados na sexta-feira. A Grã-Bretanha estendeu o encerramento do seu espaço aéreo do meio dia de sábado à 1h de domingo.

Em termos de condicionamento/encerramento do espaço aéreo, os responsáveis internacionais dizem que esta situação é pior que o 11 de Setembro. Encontra-se voos cancelados um pouco por todo o mundo, em países como a China, Japão, Austrália ou Singapura.

Entretendo, os passageiros procuram alternativas e o Eurostar, o comboio que liga Londres a várias cidades do continente, atravessando o túnel da Mancha, foi alvo de uma verdadeira corrida, que esgotou os bilhetes, apesar de todos os 58 comboios em operação estarem a funcionar e continuaram esgotados, pelo menos até à próxima segunda-feira.

A erupção do vulcão na Islândia começou com maior intensidade na passada quarta-feira (14/Abril/2010) e continua a  lançar cinzas na atmosfera. Especialistas temem que as cinzas contidas na nuvem de fumo entrem nos motores do avião entupindo as turbinas. Quando isso acontece, o motor pára de funcionar em pleno voo.

Depois de incidentes como o de 1982 com um voo da British Airways, que ficou sem os motores depois de atravessar a nuvem de cinzas de um vulcão da Indonésia, as companhias aéreas não arriscam. Ontem, as autoridades finlandesas confirmaram que um dos seus aviões de combate F-18 tinha ficado seriamente danificado num treino na quinta-feira, antes de ter sido encerrado o seu espaço aéreo.

As cinzas, no entanto, não apresentam risco grave para a saúde daspopulações . Segundo autoridades de saúde na Escócia, onde a previsão era de que as cinzas começassem a cair na noite de quinta para sexta-feira, a expectativa é de que a concentração de partículas seja baixa.

Fonte: NASA/MODIS Rapid Response Team 16/Abril/2010

Nuvem de cinzas (castanho) estendendo-se desde o Reino Unido (esquerda) até à Alemanha (direita).

Fonte: NASA GSFC/JPL - 15/Abril/2010

Na imagem à esquerda uma imagem em cor natural, enquanto que a imagem da direita é de infravermelhos, mostrando a pluma de cinzas a vermelho devido à presença de sílica. A imagem não evidencia a presença de ácido sulfúrico que apareceria a amarelo na imagem da direita, pondo de parte, para já, o receio de chuvas ácidas.

Fonte: NASA's Jet Propulsion Laboratory, Pasadena, California - 15/Abril/2010

Imagem visível da pluma de cinzas.

Fonte: NASA's Jet Propulsion Laboratory, Pasadena, California - 15/Abril/2010

Esta imagem mostra a nuvem de cinzas (azul) envolvendo a Islândia e movendo-se sobre as ilhas Shetlans e Europa. Esta nuvem de cinzas estima-se que esteja à altitude de 3,658 metros (12,000 pés).

Erupção do Vulcão Eyjafjallajökull na Islândia

Posted in Notícias by Artemisa on 15 de Abril de 2010

No dia 20 de Março iniciou-se a actividade no sistema vulcânico em Eyjafjallajökull, no sul da Islândia.

Geologicamente, a  Islândia é bastante recente e está localizada num ponto quente geológico causado pela pluma mantélica, e também na dorsal meso-atlântica, que passa exatamente sob o solo da ilha. Esta combinação significa que, geologicamente, a ilha é extremamente activa, tendo assim muitos vulcões, entre eles o Hekla, o Eldgjá, Eldfell, Katlae o Eyjafjallajökull.

Três erupções anteriores do Eyjafjallajökull são conhecidos nos últimos 1100 anos (tempo histórico na Islândia). A mais recente começou em Dezembro de 1821 e durou de forma intermitente  mais de um ano. O vizinho vulcão Katla entrou depois  em erupção em 26 de Junho de 1823. Outras erupções foram registadas, nomeadamente uma erupção em 1612 ou 1613, e cerca de 920.

Ontem, 14 de Abril registou-se um incremento da actividade vulcânica no vulcão Eyjafjallajokull, acompanhada de sismicidade, formando um novo foco eruptivo localizado sob o glaciar, que provocou a fusão do gelo e causou inundações que afectaram várias estradas. Cerca de 800 de pessoas que se encontravam em zonas de risco de inundações foram evacuadas e a erupção formou uma coluna eruptiva que atingiu altitudes entre 6 a 11 km, e progrediu para leste, interrompendo o tráfego aéreo da zona norte da Europa, nomeadamente nos aeroportos do Reino Unido e Irlanda.

Localização

Nesta imagem datada de 24 de Março é possível ver a corrente de lava e a nuvem de fumo.

Fonte: NASA image by Robert Simmon, using ALI data from the EO-1 team. Caption by Robert Simmon (24/Março/2010)

Actividade registada no dia 26 de Março.

Fonte: NASA image by Jesse Allen and Robert Simmon, based on data from the MODIS Science Team. Caption by Robert Simmon (26/Março/2010)

Nuvem de fumo, derivada da actividade do vulcão.

Fonte: NASA image by Robert Simmon, using ALI data from the EO-1 team. Caption by Robert Simmon (01/Abril/2010)

Fonte: NASA image by Robert Simmon, using ALI data from the EO-1 team. Caption by Robert Simmon (04/Abril/2010)

Corrente de lava e nuvem de fumo.

Fonte: The MODIS instrument on NASA's Terra satellite captured an Ash plume from Eyjafjallajokull Volcano over the North Atlantic, NASA/MODIS Rapid Response Team (14/Abril/2010)

Fonte: NEODAAS/University of Dundee/AP (15/Abril/2010)

Imagens mais recentes do vulcão Eyjafjallajökull.

Evolução prevista da nuvem de poeiras e fumos prevista para os países do Norte da Europa, tendo em conta as condições meteorológicas, nomeadamente velocidade e direcção das correntes atmosféricas em altitude e à superfície.

A imagem de satélite mostra a nuvem de poeira a preto, ao mesmo tempo que as partículas de gelo se misturam com cinzas.

A população envolvente a Eyjafjallajoekull foram evacuadas mas as nuvens de poeiras formadas são uma preocupação crescente para o tráfego aéreo dos países vizinhos .

Mwteorologistas dizem que a nuvem irá dissipar-se e perder intensidade, contudo a erupção continua, bem como a nuvem de cinzas.

Não existem previsões para quando serão retomados os voos.

Com as restrições impostas à circulação aérea nos países afectados pelas nuvens de cinzas, e uma vez que estas podem provocar a paragem dos motores dos aviões, milhares de passageiros que pretendiam viajar para os mesmos, enchem os aeroportos um pouco por todo o mundo.