GRÃO DE AREIA

Cheira e incêncido na Cova da Beira!

Posted in Pessoal by Artemisa on 28 de Julho de 2010

Entardecer triste e cheio de fumo na Cova da Beira.

Infelizmente, um cenário comum em dias de verão!

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“Criancinhas”

Posted in Escola, Notícias by Artemisa on 21 de Julho de 2010

“A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.

Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.”

Artigo publicado na Devida Comédia por Miguel Carvalho, Revista Visão Online a 01/03/2007

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A Madeira e os Cetáceos

Posted in Notícias by Artemisa on 21 de Julho de 2010

Foi no passado dia 20 de Julho pelas 10h, que se realizou a conferência de Imprensa, a bordo da embarcação Ziphius – Porto de recreio de Machico, para divulgação do Projecto CetáceosMadeira II . Este projecto é desenvolvido pelo Município de Machico – Museu da Baleia da Madeira e co-financiado pelo Município de Machico e pelo Programa de iniciativa Comunitária LIFE+.

Os cetáceos constituem um grupo diversificado que engloba as baleias, golfinhos e botos. Na sua totalidade e a nível mundial, são consideradas aproximadamente 78 espécies de cetáceos divididas em duas sub-ordens. No arquipélago da Madeira foram confirmadas até ao presente, com frequência ou ocasionalmente, 24 espécies, das quais sete pertencem à sub-ordem Mysticeti (cetáceos com barbas) e dezassete à sub-ordem Odontoceti (cetáceos com dentes).

As grandes baleias, integradas na primeira sub-ordem utilizam estes mares de passagem ou sazonalmente, onde alguns indivíduos permanecem por períodos de vários meses. Têm sido observadas baleias comuns, baleias tropicais e baleias sardinheiras em alimentação e, para as duas primeiras espécies, foi confirmada a presença de crias nestas águas.

A sub-ordem Odontoceti engloba as várias espécies de golfinhos, de baleotes e o cachalote. Utilizam as águas em redor do arquipélago como área de alimentação e reprodução. Algumas espécies têm uma permanência sazonal (como o golfinho comum) e outras anual (como o golfinho roaz).

Golfinho Comum

Golfinho Roaz

Com o aumento do esforço de observação e do estudo dos cetáceos nas águas da Madeira é possível que espécies até agora não consideradas para estas águas sejam avistadas.

A área de estudo para este projecto será a ZEE da Madeira. O objectivo 1 e 2 do projecto terão como áreas de estudo, as águas costeiras (limite das 12 milhas náuticas) do Arquipélago da Madeira, enquanto o objectivo 3 terá as águas offshore.

A zona económica exclusiva (ZEE) da Madeira tem uma extensão de aproximadamente 377 mil km2 (500 vezes a sua superfície terrestre), incluindo toda a extensão de mar até aos 200 milhas náuticas das costas do arquipélago. Reúne o Arquipélago da Madeira e os bancos submarinos, do Dragão, do Leão, Unicórnio, Ampére, Seine e Suzana.

O Arquipélago da Madeira de origem vulcânica é constituído pelas ilhas da Madeira e do Porto Santo, e por dois sub – arquipélagos, as ilhas Desertas, e as ilhas Selvagens (ambas reservas naturais). A topografia submarina deste arquipélago oceânico caracteriza-se pela ausência de plataforma continental (aumento rápido da profundidade à medida que a distância à costa aumenta), permitindo que espécies marinhas oceânicas, habitantes de águas profundas, se aproximem mais da costa facilitando a sua observação.

Os bancos submarinos são montanhas subaquáticas, de origem vulcânica, que se elevam a pelo menos 1000 metros do fundo marinho, exibindo uma estrutura cónica, sem atingirem, no entanto, a superfície do mar. Caracterizam-se por providenciar habitat a espécies marinhas que não habitam no fundo marinho do oceano profundo. Este tipo de relevo pode causar o desvio de correntes profundas e provocar o movimento de nutrientes para a zona fótica, gerando upwelling. São então considerados como pontos vitais de paragem para espécies marinhas migratórias como os cetáceos.

Objectivos do Projecto

1) Identificação de áreas de importância para o golfinho roaz – corvineiro nas águas costeiras do Arquipélago da Madeira, com o objectivo de estabelecer áreas a integrar a Rede Natura 2000

O estatuto de conservação do golfinho roaz para as águas do arquipélago da Madeira foi avaliado como “Pouco Preocupante”. Contudo, os resultados de estudos desenvolvidos pelo MBM, sugerem que esta espécie tem uma maior ocorrência nas águas costeiras de menor profundidade, as quais estão sujeitas a intensa pressão antropogénica resultante do aumento das actividades humanas na zona costeira, e.g. trafego maritimo, pesca, whale – watching, entre outras. Por conseguinte, os efeitos advindos destas actividades humanas poderão causar uma redução do habitat disponível para o golfinho – roaz no arquipélago da Madeira. Urge, portanto, identificar e gerir de forma sustentável, áreas que sejam sensíveis/cruciais ao golfinho roaz, compatibilizando as actividades humanas com este propósito. O estabelecimento destas áreas irá, também, reforçar a coerência ecológica e conectividade das áreas marinhas da Rede Natura 2000, no Atlântico, especialmente no que diz respeito a esta espécie.
Para atingir este objectivo, serão realizados censos náuticos sistemáticos nas águas costeiras das ilhas da Madeira, Porto Santo e Desertas. Para além dos censos náuticos sistemáticos, o esforço no mar será também orientado para a realização de campanhas de mar para áreas já identificadas como potencialmente importantes para o golfinho roaz, e para outras áreas que possam vir a ser identificadas como tal, pelos censos náuticos sistemáticos acima mencionados. A foto – identificação será uma das ferramentas de estudo a utilizar nestas campanhas de mar.

2) Definição de áreas de operação para as embarcações de observação de cetáceos nas águas do Arquipélago da Madeira, e estabelecer a respectiva capacidade de carga.

Nos últimos anos a actividade de observação de cetáceos teve um rápido crescimento na Ilha da Madeira, assim como em outras partes do mundo.com impactos ainda não totalmente perceptíveis e mensurados nas populações de cetáceos. Dado o actual potencial de mercado da actividade, o número de embarcações a operar no Arquipélago da Madeira tenderá certamente a aumentar. Nesse sentido, para um crescimento sustentável da actividade, que passa pela minimização do impacto sobre os cetáceos (o produto vendido nesta actividade), é importante definir áreas de operação para as embarcações de observação de cetáceos e, respectiva capacidade de carga. Com a definição de áreas de operação e, a respectiva capacidade de carga, pretende-se distribuir a pressão exagerada que possa surgir da concentração de embarcações numa área restrita, pretende-se, portanto, o crescimento saudável e sustentável da indústria, baseado em critérios e conhecimentos sólidos, que minimizem os impactos negativos nos cetáceos e no seu estatuto de conservação.
De forma a atingir este objectivo, censos náuticos sistemáticos serão conduzidos nas águas costeiras das ilhas da Madeira, Porto Santo e Desertas, bem como a inventariação do número de embarcações, e informações sobre a sua operação, designadamente, percursos e área coberta, duração das viagens e outra informação que seja considerada relevante.

3) Vigilância do estatuto de conservação das espécies de cetáceos no mar alto do Arquipélago da Madeira.”

Presentemente a monitorização dos cetáceos no Arquipélago da Madeira é restrita às águas costeiras (limite das 12 milhas náuticas da costa). Este projecto constitui assim uma oportunidade para desenvolver e implementar a vigilância nas águas offshore, numa lógica precaucionária que permita a identificação de ameaças para os cetáceos nessas águas remotas. O conhecimento de possíveis impactos é fundamental para a implementação de medidas mitigadoras, contribuindo para a manutenção ou melhoramento do estatuto de conservação dos cetáceos no Arquipélago da Madeira. As medidas de vigilância a desenvolver durante este projecto serão posteriormente incluídas no Programa de Monitorização Permanente dos Cetáceos no Arquipélago da Madeira.
Para cumprir com este objectivo, as embarcações de pesca (nomeadamente atuneiros), que operam nas águas offshore da ZEE Madeira, servirão como plataformas de observação.

Para mais informações:

Museu de Baleia

Projecto Cetáceos Madeira

Livro dos Cetáceos no Arquipélago da Madeira

Mais Algumas Fotos da Ilha…

Posted in Fotos by Artemisa on 12 de Julho de 2010

Funchal a partir do Monte

Ponta de S. Lourenço

Vista a partir da Boca dos Namorados sobre o Curral das Freiras, Terra Chã, Seara Velha. Lombo Chão e Fajã das Galinhas

Seixal a partir de S. Vicente

Seixal

São Vicente e Ponta Delgada a partir do Seixal

Vista a partir do Farol da Ponta do Pargo

Porto da Cruz a partir da Portela

Penha de Águia, Porto da Cruz

Porto da Cruz

Ribeira Brava e Vale da Ribeira de Serra de Água

Câmara de Lobos e Funchal a partir do Cabo Girão

Ilhéu de Baixo ou da Cal a partir da Ponta da Calheta, Porto Santo

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Os Burros

Posted in Notícias, Pessoal by Artemisa on 10 de Julho de 2010

Atenção a quem da próxima vez chamar burro a alguém 🙂

“Os burros são animais sociais. A um grupo de burros chama-se “burrada”. São animais que possuem uma estrutura social flexível, isto é, nenhum dos membros do grupo é dominante a título permanente. Os machos lutam pelas fêmeas em estro (corresponde ao cio nos machos). São animais de temperamento dócil, forte e muito inteligentes, que não perdem a sua integridade e personalidade no contacto com os humanos. Segundo alguns especialistas, comparando com a espécie humana, comportam-se como uma criança inteligente de 5/6 anos.
Embora os burros sejam animais independentes, a companhia das pessoas é fundamental e rapidamente criam laços afectivos fortes com os humanos, se lhes for dispensada a atenção de que necessitam.

Uma das teorias aceites sobre a filogenia dos asininos domésticos, diz-nos que estes se dividem em dois grandes grupos:
• O tronco europeu, Equus asinus europeus, provavelmente com origem mediterrânea;
• O tronco africano, Equus asinus africanus, proveniente da bacia do Nilo.

Segundo alguns autores, o burro (E. asinus) terá sido domesticado antes do cavalo. Os vestígios mais antigos de asnos domésticos remontam ao final da idade de Bronze e procedem do Egipto. Na Europa admite-se que a sua chegada tenha ocorrido no quinto milénio antes de Cristo, tendo-se expandido por todo o continente até à idade antiga clássica.
A domesticação do burro com o consequente surgimento e expansão do tronco europeu, da sub-espécie, E. a. europeus, terá ocorrido devido à utilização desta espécie para alimentação humana, produção de híbridos e mais tarde para os serviços de carga e transporte. Uma característica interessante deste período de maneio primitivo era a utilização unicamente de burras e não garanhões, sendo a reprodução assegurada através da cobrição com o garanhão selvagem.
Como já foi referido anteriormente, a sub-espécie E. a. europeus correspondente ao tronco europeu da espécie (E. asinus) terá sido precursora da maioria das antigas raças europeias.
De acordo com as condições orográficas, climáticas e ecológicas existentes no Continente Europeu terão surgido diferentes variedades de burro de acordo com os distintos propósitos dos criadores de cada região geográfica.
Através do processo de domesticação surgiram algumas das principais raças actualmente existentes na Europa. São exemplos: a raça Catalã; a raça Zamorano-Leonesa (Espanha); a raça Piamonte, Sardenha e Sicília (Itália); a raça Poitou e Gasconha (França).
Por sua vez a sub-espécie E. a. africanus terá originado algumas raças existentes na Europa, caso da raça Andaluz e Cordovesa (Espanha).

O burro está associado a um vasto património de importância social, cultural, económica e ecológica.
Os asininos foram um pouco por todo o mundo tradicionalmente muito utilizados na agricultura. Em algumas zonas do planeta ainda o são.
No Planalto Mirandês as populações das aldeias vivem à base de uma agricultura familiar de subsistência, retirando dela produtos de grande qualidade. É uma agricultura que se faz em propriedades pequenas onde se cultiva pimentos, cebolas, couves, alfaces, batatas, feijões, etc. Na cultura das hortas, os asininos têm a vantagem de exercer uma menor compactação sobre os solos, por serem mais leves que as restantes espécies utilizadas na lavoura. Adicionalmente permitem uma mobilização do solo mais próxima da planta, sem a danificarem.
Ainda nos dias de hoje, os asininos dão uma resposta eficaz às necessidades de transporte das pessoas, e da comida para o gado – transporte a dorso -, são utilizados para lavrar a vinha, preparar e verificar o estado das terras, para semear e arrancar batata. Desempenham também a importante função de fazer companhia aos seus donos, e são às vezes o único pretexto para o idoso sair de casa, pois é preciso ir pôr a burra a pastar (a maior parte das pessoas possui burros fêmea).

São inúmeros os benefícios socio-económicos associados ao burro. Actualmente, no nosso País, ainda existem profissões ligadas ao gado asinino, tais como: a de Albardeiro – aquele que faz albardas, cabeçadas, etc.; a de Ferrador – aquele que ferra e arranja os cascos; a de Tecelão – aquele que também tece alforges. No passado algumas das profissões ligadas aos asininos eram: a de Aguadeiro – aquele que vendia água ou a levava ao domicilio; a de Almocreve – aquele que alugava e conduzia bestas de carga, entre muitas outras.
O artesanato esteve desde sempre ligado ao gado asinino:
– na cestaria, existem os cestos esterqueiros e as cangalhas;
– as albardas, os alforges e as mantas de retalhos são, sem excepção, verdadeiras peças de artesanato.
O burro está também associado a inúmeros eventos culturais. São exemplos, as feiras ligadas ao gado asinino, e.g. Feira do Naso, próximo da aldeia da Póvoa e Feira dos Gorazes, na vila de Sendim (Concelho de Miranda do Douro), e Feira do Azinhoso (Concelho de Mogadouro), exposições, gincanas, corridas e concursos.
Existem alguns produtos derivados directamente do burro. A sua carne por exemplo é considerada muito dura (embora esta opinião não seja unânime), mas no entanto é consumida por muitos povos, simples ou sob a forma de enchidos.
O leite de burra é largamente procurado em muitas regiões pela indústria alimentar e cosmética. Em Portugal, o leite da fêmea asinina foi muito utilizado pelas populações rurais, sendo inclusive receitado pelos médicos às mulheres que não conseguiam amamentar, por ser um leite parecido com o que é produzido pelos humanos para alimentar os recém-nascidos. É um leite denso e açucarado. Também era tido como bom cicatrizante, aplicando-se em pomada nas feridas e doenças de pele. A sua pele dura e elástica tem numerosas aplicações, nomeadamente na fabricação de crivos, calçado, tambores, correias, sacos, tendas (usadas pelos nómadas árabes), etc. E já houve em tempos remotos, quem utilizasse os ossos de Burro para fazer instrumentos musicais (flautas).
O ecoturismo e as actividades lúdico-terapêuticas assistidas por burros são nos nossos dias duas das mais promissoras áreas ligadas à utilização dos asininos. É importante realçar, que o ecoturismo faz todo o sentido se o meio rural e as suas gentes mantiverem as actividades que lhes são características, o seu sustento e as suas tradições.
As actividades lúdico-terapêuticas assistidas por burros, para pessoas com necessidades especiais merecem destaque, pela sua importância terapêutica, ética, social e como potencial ecoturístico.

Na vertente agrícola/ecológica, o excremento de burro, juntamente com a palha utilizada na cama dos animais, faz um excelente elemento fertilizador das terras, o estrume, para as hortícolas, pimentos, cebolas, alhos, etc., cogumelos e flores. A utilização de estrume dos animais evita que se usem fertilizantes de síntese, promovendo uma agricultura mais ecológica. Os asininos evitam o avanço dos matos incultos, cuja presença descaracteriza a paisagem rural e facilita a propagação dos fogos.
Os asininos também têm aptidão para o pastoreio, fundamental para a preservação dos lameiros (prados e pastagens espontâneos), que se degradam caso não sejam pastoreados e/ou cortados. Os lameiros permitem a conservação de muros de pedra e sebes vivas, estas últimas constituídas por espécies autóctones (espécie que ocorre de forma natural numa dada região) como por exemplo, o Freixo-de-folhas-estreitas (Fraxinus angustifolia), e que servem de limite ao lameiro. Os muros de pedra e sebes têm um elevado interesse para a conservação de fauna selvagem, pois servem de abrigo e de local de reprodução a numerosas espécies importantes no controlo de pragas agrícolas.
No Nordeste Transmontano, o importante papel desempenhado pelo burro não se esgota com a sua morte. Assim, os cadáveres de asininos (e de outros equídeos), após ser verificada a sua condição sanitária por um Médico Veterinário, são transportados para um dos alimentadores de abutres autorizados no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), onde se alimentam as aves necrófagas (animais que se alimentam dos cadáveres de outros animais) que nidificam nesta área protegida, e.g. Abutre do Egipto (Neophron percnopterus), Grifo (Gyps fulvus).
A certificação dos cadáveres pelo Médico Veterinário é fundamental para prevenir a transmissão de doenças na cadeia alimentar, ou pelo perigo causado pelo envenenamento dos animais que servem de alimento às espécies do topo da cadeia alimentar, e.g. abutre, lobo etc. É o Médico Veterinário quem decide se o cadáver do animal está ou não em condições de ser consumido por outras espécies, sem causar efeitos negativos.
Os abutres, como todos os animais necrófagos, desempenham um papel importantíssimo na cadeia alimentar, limpando os cadáveres dos animais e os excrementos, que de outro modo se acumulariam provocando mau cheiro e aumentando a probabilidade de transmissão de doenças no meio natural. Numa área protegida (PNDI) em que a disponibilidade alimentar para estas aves necrófagas não é assim tão grande, os cadáveres de equídeos, e.g. burros, têm a nobre e importante função de contribuir para a sua sobrevivência.”

Para mais informação, clique aqui.

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Rally Paper…Campeões!!

Posted in Amigos, Escola, Pessoal by Artemisa on 10 de Julho de 2010

E foi de uma forma fantástica que a equipa “Três Para Um” venceu mais uma edição do Rally Paper, organizado pela EBECL!! Diversão, música, convívio, amizade, confraternização, entreajuda, espírito de equipa,… Excelente!!

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