GRÃO DE AREIA

DT 2009/2010 EBECL

Posted in Escola, Pessoal by Artemisa on 29 de Junho de 2010

Sucesso exige trabalho e esforço, uns mais que outros conseguiram, mas nunca é tarde para começar…

Obrigado pelo que me ensinaram ao longo deste ano e que todos os vossos sonhos se concretizem!

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Portugal

Posted in Notícias by Artemisa on 15 de Junho de 2010

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Ilhas Selvagens

Posted in Escola, Notícias by Artemisa on 13 de Junho de 2010

Habitadas apenas pelos guardas do Parque Natural da Madeira, as Ilhas Selvagens são talvez a parte do território nacional mais desconhecida para os portugueses. Embora a sua superfície seja bem conhecida e documentada, são as suas águas que requerem agora a atenção dos cientistas e estudiosos portugueses que através da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), grupo técnico-científico do Ministério da Defesa Nacional, está a desenvolver uma investigação que irá centrar-se em três vertentes: mar, linha de costa e terra, tendo por objectivo inventariar a fauna, a flora e os habitats marinhos entre os dois mil metros de profundidade e os 70 metros acima do nível do mar, a altitude da Selvagem Grande. Para tal, a missão conta com os navios Almirante Gago Coutinho, Creoula e Vera Cruz (este é uma réplica das caravelas usadas nos Descobrimentos). Participa ainda o robô submarino Luso, operado à distância do Almirante Gago Coutinho, por um cabo.

A expedição marca ainda o arranque do programa Professores a Bordo, da EMEPC, que é inédito em Portugal: embarcadas no Creoula, duas professoras de Biologia e de Geologia do ensino secundário e outras duas destacadas nos centros Ciência Viva de Estremoz e Lagos vão participar na ciência feita numa campanha oceanográfica.

Para quem procura mais informação sobre este arquipélago, deixo algumas sugestões:

Blog Ilhas Selvagens

MadeiraNature

Reserva Natural das Ilhas Selvagens

Fonte: Instituto Hidrográfico Português

Fonte: NASA

Fonte: NASA

25 Anos de Europa

Posted in Notícias by Artemisa on 12 de Junho de 2010

No dia 12 de Junho de 1985, na cerimónia da assinatura da Acta Final da adesão de Portugal (e Espanha) à Comunidade Económica Europeia, realizada no Mosteiro dos Jerónimos, o primeiro ministro, Mário Soares, afirmou que a adesão à CEE representava para Portugal “uma opção fundamental para um futuro de progresso e de modernidade”. Esta opção apresentava-se-lhe como a consequência natural dos processos de descolonização e de democratização permitidos pela Revolução de 25 de Abril de 1974. No mesmo dia, o presidente da República, Ramalho Eanes, considerou que a integração comportava “factores de insegurança e risco” mas, simultaneamente, “era uma oportunidade de mudança”. Estas interpretações do significado da adesão traduziam não só o ponto de vista da maior parte da classe política do momento, mas também o da maioria da população que os mais críticos, ausentes da cerimónia do Mosteiro dos Jerónimos, afirmavam ser desconhecedora ou estar alheada do moroso processo de negociação – iniciado oito anos antes – e das suas consequências. O mesmo, então Presidente da República, Ramalho Eanes disse hoje que “esta Europa é um nada“, que a União é “meramente económica“.

Portugal encontra-se mergulhada numa profunda crise económica e social e pergunto-me se era este o “sonho europeu“. Com certeza que não, mas sempre, a partir do momento em que tive a capacidade de me consciencializar para as suas implicações, que fui uma europeísta convicta e assim contínuo, pois acredito que sós não sobreviveríamos e que a união faz a força.

Acredito que cabe a cada um de nós fazer melhor, dar mais e não ficarmos impávidos e serenos à espera que a situação se resolva por si, apenas criticando, sem muitas vezes o fazermos de forma inteligente. Os nossos governantes são eleitos por nós, portanto são tão responsáveis como nós que os elegemos.

Viva Portugal na Europa!

Senhoras e Senhores Finalistas do 9ºAno EBECL

Posted in Escola by Artemisa on 5 de Junho de 2010

Faltam muitos mas apenas nas fotos.

Espero que tenham um futuro brilhante à vossa frente, que concretizem os vossos sonhos de agora e todos aqueles que irão surgir ao longo da vossa vida. Trabalhem, esforcem-se e tentem sempre superar-se!

Obrigado por tudo aquilo que convosco aprendi.

“Façam o favor de ser felizes”

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Dia Mundial da Criança

Posted in Notícias by Artemisa on 1 de Junho de 2010

“O melhor do mundo são as crianças” Fernando Pessoa


Declaração dos Direitos da Criança

Adoptada pela Assembleia das Nações Unidas de 20 de Novembro de 1959

PREÂMBULO

Considerando que os povos da Nações Unidas, na Carta, reafirmaram sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano, e resolveram promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla,

Considerando que as Nações Unidas, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamaram que todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades nela estabelecidos, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição,

Considerando que a criança, em decorrência de sua imaturidade física e mental, precisa de protecção e cuidados especiais, inclusive protecção legal apropriada, antes e depois do nascimento,

Considerando que a necessidade de tal protecção foi enunciada na Declaração dos Direitos da Criança em Genebra, de 1924, e reconhecida na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos estatutos das agências especializadas e organizações internacionais interessadas no bem-estar da criança,

Considerando que a humanidade deve à criança o melhor de seus esforços,

A ASSEMBLEIA GERAL

PROCLAMA esta Declaração dos Direitos da Criança, visando que a criança tenha uma infância feliz e possa gozar, em seu próprio benefício e no da sociedade, os direitos e as liberdades aqui enunciados e apela a que os pais, os homens e as melhores em sua qualidade de indivíduos, e as organizações voluntárias, as autoridades locais e os Governos nacionais reconheçam este direitos e se empenhem pela sua observância mediante medidas legislativas e de outra natureza, progressivamente instituídas, de conformidade com os seguintes princípios:

PRINCÍPIO 1º

A criança gozará todos os direitos enunciados nesta Declaração. Todas as crianças, absolutamente sem qualquer excepção, serão credoras destes direitos, sem distinção ou discriminação por motivo de de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição, quer sua ou de sua família.

PRINCÍPIO 2º

A criança gozará protecção social e ser-lhe-ão proporcionadas oportunidade e facilidades, por lei e por outros meios, a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal e em condições de liberdade e dignidade. Na instituição das leis visando este objectivo levar-se-ão em conta sobretudo, os melhores interesses da criança.

PRINCÍPIO 3º

Desde o nascimento, toda criança terá direito a um nome e a uma nacionalidade.

PRINCÍPIO 4º

A criança gozará os benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e criar-se com saúde; para isto, tanto à criança como à mãe, serão proporcionados cuidados e protecção especiais, inclusive adequados cuidados pré e pós-natais. A criança terá direito a alimentação, recreação e assistência médica adequadas.

PRINCÍPIO 5º

À criança incapacitada física, mental ou socialmente serão proporcionados o tratamento, a educação e os cuidados especiais exigidos pela sua condição peculiar.

PRINCÍPIO 6º

Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança precisa de amor e compreensão. Criar-se-à, sempre que possível, aos cuidados e sob a responsabilidade dos pais e, em qualquer hipótese, num ambiente de afecto e de segurança moral e material, salvo circunstâncias excepcionais, a criança da tenra idade não será apartada da mãe. À sociedade e às autoridades públicas caberá a obrigação de propiciar cuidados especiais às crianças sem família e aquelas que carecem de meios adequados de subsistência. É desejável a prestação de ajuda oficial e de outra natureza em prol da manutenção dos filhos de famílias numerosas.

PRINCÍPIO 7º

A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário.

Ser-lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro útil da sociedade.

Os melhores interesses da criança serão a directriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais.

A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.

PRINCÍPIO 8º

A criança figurará, em quaisquer circunstâncias, entre os primeiros a receber protecção e socorro.

PRINCÍPIO 9º

A criança gozará protecção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. Não será jamais objeto de tráfico, sob qualquer forma.

Não será permitido à criança empregar-se antes da idade mínima conveniente; de nenhuma forma será levada a ou ser-lhe-á permitido empenhar-se em qualquer ocupação ou emprego que lhe prejudique a saúde ou a educação ou que interfira em seu desenvolvimento físico, mental ou moral.

PRINCÍPIO 10º

A criança gozará proteção contra atos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Criar-se-á num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência que seu esforço e aptidão devem ser postos a serviço de seus semelhantes.

***

Por outro lado, a Convenção sobre os Direitos da Criança foi adoptada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas em 20 de Novembro de 1989, 30 anos depois de terem sido definidos os princípios fundamentais e ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990.

Para ler na íntegra, clique aqui.

Amores Singulares

Posted in Pessoal by Artemisa on 1 de Junho de 2010

“Foram uns amores singulares, aqueles.

No Junho, as cerdeiras punham por toda a veiga uma nota viva, fresca e sorridente. As praganas aloiravam, as cigarras zumbiam, as águas de regadio corriam docemente nas caleiras, e dos verdes maciços de folhas leves e ondulantes, emoldurados no céu, espreitavam a primavera, curiosos, milhares de olhos túmidos e vermelhos.

Era domingo. E ele subira por desfastio à velha bical dos Louvados a matar saudades de menino.

– Não dás um ramo, ó Coiso?- perguntou do caminho a rapariga.

– Dou, dou! Anda cá buscá-lo.

Pela voz, pareceu-lhe logo a Natália. Mas só depois de arredar a cabeça de uma pernada é que se confirmou.

– Não estás de caçoada?

– Falo a sério!

Era bonita como só ela. Delgada, maneirinha, branca, e de olhos esverdeados, fazia um homem mudar de cor.

– Olha que aceito!

– E eu que estimo… -Tinha já no chapéu algumas cerejas colhidas, reluzentes, a dizer comei-me.

– Não teimes muito …

– Valha-me Deus! …

A rapariga atravessou então o valado, entrou na leira e chegou-se, risonha.

– Segura lá na abada… -Encandearam os olhos um no outro, ela de avental aberto, ele de rosto afogueado, deram sinal, e a dádiva desceu, generosa e doce.

Vista de cima, a Natália ainda cegava mais a gente. O queixo erguido dava-lhe um ar de criança grande; os seios, repuxados, pareciam outeiros de virgindade; e o resto do corpo, fino, limpo, tinha uma pureza de coisa inteira e guardada.

– Terão bicho?

– Têm agora bicho! Ia-te mesmo dar cerejas com bicho!

Sem querer, a resposta saíra-lhe expressiva demais. O coração agitou-se um pouco, o instinto, acordado, estremeceu, e os olhos, culpados, fugiram-lhe do rosto da moça e fixaram-se sonhadoramente no céu.

– Bota cá mais meia dúzia. Já que comecei…

À medida que se enfarruscava de sumo, a Natália ia-se tomando também num fruto que apetecia colher. Mas recusou-se a vê-la com pensamentos desejosos e atrevidos.

– Segura lá esta pinhoca…

Era um lindo ramo que fora buscar à coroa quase inacessível da árvore. As cerejas, libertas da sombra protectora das folhas, tinham-se dado inteiramente ao sol, deixando-se amadurecer por igual, num abandono quente e ditoso.

– Que lindo! É para que saibas… Concentraram a atenção um no outro, e de tal modo ficaram fascinados, que se ela não dá um grito de aviso, com a oferta vinha o doador também ao chão.

– Cautela!

– Não há perigo. No enlevo em que ficara, o desgraçado até se esqueceu do sítio onde estava.

– Queres mais?

– Não, bem hajas…

Pôs-se logo a descer, um pouco atarantado por lhe faltarem já as palavras que lhe havia de dizer cá na terra. Ela é que entretanto se escapulira.

– Adeus!…

O namoro, contudo, tinha começado. Sem nunca falarem daquela tarde, sabiam ambos que se amavam e que fora a velha cerdeira bical que lhes aproximara os corações. Pena ele ser o que era: uma natureza tímida, incapaz de um acto rasgado e levado ao fim. Falavam ao cair da tarde, quando a fresca do anoitecer aligeirava o cansaço das cavas, sem que ninguém reparasse, pois a povoação aceitara já aquela união como um facto natural e acertado e o rapaz ainda a meio do caminho, atarantado e reticente.

– Que diz vossemecê? -perguntava ele à mãe, à pobre Teodósia, que não via outra coisa na vida senão a felicidade do filho.

– A mim agrada-me… É boa rapariga, e limpa, é jeitosa…

– Lá isso… Dizia, e ficava-se calado, indeciso entre o sonho e a realidade.

Fala à gente! Era sempre a Natália a começar, como no dia das cerejas. Por mais que fizesse, nunca ele se atreveria a dar o primeiro passo. Só quando a rapariga quebrava a distância é que o coitado se abria num contentamento sem medida., tonto e novo como um cabrito. Mas nunca passava de coisas vagas e enternecidas. As palavras concretas magoavam-lhe a boca.

– Ainda não lhe falaste em nada? Indagava a Teodósia, insárida.

– Não. Mas amanhã…

– Ou quererás tu antes que eu lhe diga … ?

– Melhor fora! Valha-a Deus! Isso até era uma vergonha!

Lá conhecer os pontos de honra de um homem, conhecia-os ele. A coragem é que não chegava à altura do entendimento. Infelizmente, a vida não podia parar naquela lírica indecisão. Os meses passavam, as folhas caíam, e outros renovos vinham povoar a terra.

– O João Neca esperou-me ontem à entrada do povo… -começou a Natália, à saída da missa.

– Ah, sim? E depois? -perguntou ele, a sentir o sangue subir-lhe à cara.

– Pediu-me namoro… -deixou ela cair com melancolia.

Era justamente altura de lhe dizer tudo, que a não podia tirar do pensamento, que só quando a levasse ao altar teria paz, que não seria nada no mundo sem os seus olhos verdes ao lado. Mas ainda desta vez o ânimo lhe faltou.

– Bem, tu é que vês… Ele não é mau rapaz…

Rasgava-lhe conscientemente o coração com semelhante aquiescência, porque tinha a certeza que desde a primeira hora o amava também. A coragem é que não era capaz doutra coisa.

– Eu queria lá um farçola daqueles! Estou muito bem assim…

Puras palavras de desespero. Tanto ela, que despeitada as dizia, como ele, que culpado as provocara, sabiam que eram o fruto de uma revolta impotente e destinada a morrer.

A pobre Teodósia é que lutava às claras. E dias depois já estava a picar o filho:

– Sabes o que me disseram hoje na fonte?

– Que a Natália tem namoro com o João Neca… -respondeu, vencido.

– Nem mais.

– Pois tem…

– Já sabias?! Então… e tu? Não a queres? Ou foi ela que te deixou ?

– Eu sei lá o que foi…

Dali em diante parecia viver de alma viúva. E a alegria do rosto da rapariga cobriu-se também de um negro véu de desilusão. Passavam um pelo outro e comiam-se com os olhos. Mas nem ele lhe falava no seu amor, nem ela rasgava já a frágil teia de separação.

– Casam-se para a semana… -ia esclarecendo a Teodósia, como um remorso.

– Já sei. O padre leu hoje os banhos…

– Pois leu…

Era uma resignação que quebrava a gente, e desarmava. E a velha não encontrava outro alivio senão chorar.

– Morria por ti!

Disse-lhe numa manhã, que podia ser de felicidade para os três, e se transformara num pesadelo. Os sinos tocavam festivamente, ia por toda a aldeia um alvoroço de noivado, e só naquela casa a tristeza se aninhava sombria e desamparada a um canto.

– Também eu gostava dela… Era outra vez Junho, as searas aloiravam já, e nas cerdeiras, polpudas, rijas, as cerejas tomavam uma cor avermelhada e levemente escarninha.”

Miguel Torga, Destinos, Novos Contos da Montanha

Mais um Junho…e continua sempre a faltar qualquer coisa…

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