GRÃO DE AREIA

2ª Cimeira dos BRIC: “Uma Nova Geografia Mundial”

Posted in Notícias by Artemisa on 18 de Abril de 2010

BRIC é uma sigla criada a partir da inicial de Brasil, Rússia, Índia e China, países emergentes considerados elite entre os países em desenvolvimento .

O termo surgiu em 2001 após um relatório do grupo Goldman Sachs: “Building Better Global Economic Brics”. Segundo esse relatório, os quatro países podem chegar a ficar entre as 10 principais economias do mundo até 2050. A China já ultrapassou a Alemanha e pode chegar ao primeiro lugar em matéria de volume do Produto Interno Bruto, ultrapassando os Estados Unidos, nos próximos anos. Aliás, o PIB chinês cresce, em média, 10% ao ano, muito mais que a média mundial de cerca de 4%.

Brasil, Rússia, Índia e China detêm 26% do território, 42% da população e 14,5% do PIB mundial. Nos últimos cinco anos, contribuíram com mais de 50% da expansão do PIB mundial, de acordo com as últimas estatísticas.
Os laços económicos e políticos no interior do BRIC também foram fortalecidos. Um sinal disto, entre outros, é o facto da China ter se transformado, em 2009, na principal parceira comercial do Brasil, ultrapassando os EUA. As diferenças e assimetrias, assim como a proeminência chinesa, também são notáveis, embora aparentemente não constituam um obstáculo intransponível à unidade política. De referir que a China, sozinha, responde por 7,1% do PIB mundial e se os países do BRIC realizam 14,5% das exportações mundiais, nada menos que 9,1% são responsabilidade daquela nação asiática, que lidera o ranking das vendas internacionais e vem também ocupando uma fatia crescente do comércio com Brasil, Rússia e Índia.

Reunidos na passada quinta-feira (15/Abril/210) na capital Brasileira, os líderes dos países que constituem o grupo BRIC, assinaram um acordo com vista ao reforço da cooperação para financiamento e oportunidades de investimento entre eles.

O banco estatal russo Vnesheconombank, o China Development Bank Corporation, o Banco de Desenvolvimento brasileiro BNDES e do Banco de Exportação e Importação da Índia, foram os bancos envolvidos na criação de uma infra-estrutura efectiva na segurança financeira do comércio multilateral e na cooperação económica e de investimento dos quatro países.

Apesar da sua diversidade, as quatro potências globais emergentes reuniram pela segunda vez, e parecem querer dizer ao mundo que a grande crise e a habilidade estratégica de B. Obama não paralisou o grupo. A 1ª cimeira  realizou-se em Ecaterimburgo, na Rússia, a  16 de Junho de 2009. A ideia fundamental então, pode resumir-se numa frase: “assistíamos ao princípio do fim do século americano” .

As quatro potências aproveitaram, agora, para dar um outro sinal: que, no final das contas, são elas que saem desta Grande Recessão como “ganhadoras”, e o Presidente brasileiro dizia, no final da Cimeira, que se assistia a “uma nova geografia mundial”.

Da esquerda para a direita: Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da China Hu Jintao e o Primeiro Ministro Indiano Manmohan Singh na Reunião dos países BRIC em Brasília. Fonte: AP

Do comunicado final de Brasília sai um documento de objectivos geopolíticos muito clara e dura, que pode ser resumida em cinco pontos principais, cuja concretização terá de ser acompanhada ao longo do ano:

1. Reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde já têm assento a Rússia e a China. Revindicação de que o Brasil e a Índia devem ganhar assento permanente;

2. Reforma do poder de voto do Banco Mundial nas próximas reuniões da Primavera;

3. Reforma das quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI) a ser concluída até à cimeira do G20 em Novembro;

4. “No jobs for the (West) boys” nas posições  de direcção da Banco Mundial e do FMI;

5. Estudo, sugerido pela Rússia, da viabilidade de desenvolvimento do comércio entre as quatro economias com bases nas divisas respectivas.

Actualmente os BRIC não formam um bloco político (como a União Europeia), nem uma aliança de comércio formal (como o Mercosul e a ALCA), e muito menos uma aliança militar (como a OTAN), mas constituíram uma aliança através de vários tratados de comércio e cooperação assinados em 2002.

Os BRIC, apesar de ainda não serem as maiores economias mundiais, estão em processo de desenvolvimento político e económico e já fazem sentir sua influência – a exemplo do que ocorreu na reunião da OMC em 2005, quando os países em desenvolvimento, liderados por Brasil e Índia, se juntaram aos países em desenvolvimento para impor a retirada dos subsídios governamentais pela União Europeia e pelos Estados Unidos, e a redução das tarifas de importação.

Se considerado como um bloco económico, em 2050, o grupo dos BRIC já poderá ter ultrapassado a União Europeia e os Estados Unidos da América. Entre os países do grupo haveria uma clara divisão de funções. O Brasil e a Rússia seriam os maiores fornecedores de matérias-primas – o Brasil como grande produtor de alimentos e a Rússia, de petróleo – enquanto os serviços e produtos manufacturados seriam principalmente providos pela Índia e pela China, onde há grande concentração de mão-de-obra e tecnologia.

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