GRÃO DE AREIA

Cimeira Nuclear de Washington, 2010

Posted in Notícias by Artemisa on 18 de Abril de 2010

Os grandes instrumentos da remodelação do equilíbrio de forças na arena internacional no pós-guerra fria e da hegemonia norte-americana no Mundo foram a capacidade de projecção de força e a sofisticação crescente do arsenal convencional, e não o potencial nuclear estratégico. Ao mesmo tempo, as novas tecnologias bélicas e a pressão dos media e da opinião pública amadureciam uma cultura da guerra (“guerra limpa”, paradigma dos “zero mortos”) que repudia as destruições em larga escala e as baixas humanas maciças.

Neste sentido, a comunidade internacional pretende abrir caminho para um controlo do material nuclear (não protegido) num tempo determinado e com um programa de trabalho específico e, foi assim que decorreu, nos passados dias 12 e 13 de Abril, na capital federal norte-americana a “Nuclear Security Summit”, onde quase meia centena de líderes assumiram como seu o objectivo de garantir a segurança dos materiais nucleares vulneráveis, reforçando nos próximos quatro anos os centros de produção ou de armazenamento a fim de impedir o roubo ou a compra de matérias sensíveis. Da cimeira de Washington saiu ainda um compromisso de reforçar os meios da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

O chefe do Governo israelita, Benjamin Netanyahu, decidiu não participar na conferência sobre segurança nuclear, face aos rumores de que o Egipto e a Turquia pretendiam instar o Estado judaico a assinar o Tratado de Não Proliferação Nuclear.

Estados Unidos e Israel vivem um período de especial fricção diplomática, depois da visita de Netanyahu à Casa Branca no passado mês de Março, onde discutiu com o Presidente norte-americano, Barack Obama, o emperrado processo de negociações de paz israelo-palestinianas.

Este empenho traduziu-se mesmo nalgumas pequenas vitórias. A Ucrânia decidiu abdicar dos seus stocks de urânio enriquecido. A Rússia propõe-se encerrar o seu último reactor de produção de plutónio para fins militares, e russos e americanos prometem reconverter grandes quantidades de plutónio destinado a armas nucleares, dando enfim cumprimento a um acordo de 2000, e entretanto esquecido.

O encontro mais esperado da cimeira foi entre o presidente americano e Hu Jintao, presidente da China, de quem Obama necessitava apoio no sentido de reformar as sanções contra o programa nuclear iraniano. A abstenção da China, enquanto membro permanente do conselho de segurança, poderá determinar a não aplicação de nova sanções ao Irão.

Fonte: Paresh Nath, «The Khaleej Times»

A cimeira ganha ainda relevância por se realizar depois da assinatura do Novo Start entre EUA e Rússia em que os dois países se comprometem a reduzir os arsenais nucleares.

Nem o Irão, nem a Coreia do Norte foram convidados para o encontro.

Fonte: Paresh Nath, «The Khaleej Times»

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2ª Cimeira dos BRIC: “Uma Nova Geografia Mundial”

Posted in Notícias by Artemisa on 18 de Abril de 2010

BRIC é uma sigla criada a partir da inicial de Brasil, Rússia, Índia e China, países emergentes considerados elite entre os países em desenvolvimento .

O termo surgiu em 2001 após um relatório do grupo Goldman Sachs: “Building Better Global Economic Brics”. Segundo esse relatório, os quatro países podem chegar a ficar entre as 10 principais economias do mundo até 2050. A China já ultrapassou a Alemanha e pode chegar ao primeiro lugar em matéria de volume do Produto Interno Bruto, ultrapassando os Estados Unidos, nos próximos anos. Aliás, o PIB chinês cresce, em média, 10% ao ano, muito mais que a média mundial de cerca de 4%.

Brasil, Rússia, Índia e China detêm 26% do território, 42% da população e 14,5% do PIB mundial. Nos últimos cinco anos, contribuíram com mais de 50% da expansão do PIB mundial, de acordo com as últimas estatísticas.
Os laços económicos e políticos no interior do BRIC também foram fortalecidos. Um sinal disto, entre outros, é o facto da China ter se transformado, em 2009, na principal parceira comercial do Brasil, ultrapassando os EUA. As diferenças e assimetrias, assim como a proeminência chinesa, também são notáveis, embora aparentemente não constituam um obstáculo intransponível à unidade política. De referir que a China, sozinha, responde por 7,1% do PIB mundial e se os países do BRIC realizam 14,5% das exportações mundiais, nada menos que 9,1% são responsabilidade daquela nação asiática, que lidera o ranking das vendas internacionais e vem também ocupando uma fatia crescente do comércio com Brasil, Rússia e Índia.

Reunidos na passada quinta-feira (15/Abril/210) na capital Brasileira, os líderes dos países que constituem o grupo BRIC, assinaram um acordo com vista ao reforço da cooperação para financiamento e oportunidades de investimento entre eles.

O banco estatal russo Vnesheconombank, o China Development Bank Corporation, o Banco de Desenvolvimento brasileiro BNDES e do Banco de Exportação e Importação da Índia, foram os bancos envolvidos na criação de uma infra-estrutura efectiva na segurança financeira do comércio multilateral e na cooperação económica e de investimento dos quatro países.

Apesar da sua diversidade, as quatro potências globais emergentes reuniram pela segunda vez, e parecem querer dizer ao mundo que a grande crise e a habilidade estratégica de B. Obama não paralisou o grupo. A 1ª cimeira  realizou-se em Ecaterimburgo, na Rússia, a  16 de Junho de 2009. A ideia fundamental então, pode resumir-se numa frase: “assistíamos ao princípio do fim do século americano” .

As quatro potências aproveitaram, agora, para dar um outro sinal: que, no final das contas, são elas que saem desta Grande Recessão como “ganhadoras”, e o Presidente brasileiro dizia, no final da Cimeira, que se assistia a “uma nova geografia mundial”.

Da esquerda para a direita: Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da China Hu Jintao e o Primeiro Ministro Indiano Manmohan Singh na Reunião dos países BRIC em Brasília. Fonte: AP

Do comunicado final de Brasília sai um documento de objectivos geopolíticos muito clara e dura, que pode ser resumida em cinco pontos principais, cuja concretização terá de ser acompanhada ao longo do ano:

1. Reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde já têm assento a Rússia e a China. Revindicação de que o Brasil e a Índia devem ganhar assento permanente;

2. Reforma do poder de voto do Banco Mundial nas próximas reuniões da Primavera;

3. Reforma das quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI) a ser concluída até à cimeira do G20 em Novembro;

4. “No jobs for the (West) boys” nas posições  de direcção da Banco Mundial e do FMI;

5. Estudo, sugerido pela Rússia, da viabilidade de desenvolvimento do comércio entre as quatro economias com bases nas divisas respectivas.

Actualmente os BRIC não formam um bloco político (como a União Europeia), nem uma aliança de comércio formal (como o Mercosul e a ALCA), e muito menos uma aliança militar (como a OTAN), mas constituíram uma aliança através de vários tratados de comércio e cooperação assinados em 2002.

Os BRIC, apesar de ainda não serem as maiores economias mundiais, estão em processo de desenvolvimento político e económico e já fazem sentir sua influência – a exemplo do que ocorreu na reunião da OMC em 2005, quando os países em desenvolvimento, liderados por Brasil e Índia, se juntaram aos países em desenvolvimento para impor a retirada dos subsídios governamentais pela União Europeia e pelos Estados Unidos, e a redução das tarifas de importação.

Se considerado como um bloco económico, em 2050, o grupo dos BRIC já poderá ter ultrapassado a União Europeia e os Estados Unidos da América. Entre os países do grupo haveria uma clara divisão de funções. O Brasil e a Rússia seriam os maiores fornecedores de matérias-primas – o Brasil como grande produtor de alimentos e a Rússia, de petróleo – enquanto os serviços e produtos manufacturados seriam principalmente providos pela Índia e pela China, onde há grande concentração de mão-de-obra e tecnologia.